19 mulheres que brilharam em 2019

por | 25 mar, 2020 | 0 Comentários

Conheça as profissionais que estão transformando o mundo.

O slogan “The future is female” (“o futuro é feminino”, em português) estampa camisetas e produtos que são usados por mulheres em todo o mundo. Mas, antes de ser comercial, a frase carrega um grande significado: a luta pela equidade de direitos, oportunidades, salários e responsabilidade entre homens e mulheres.

Um relatório anual sobre igualdade de gênero no mundo do Fórum Econômico Mundial, divulgado em dezembro de 2019, calcula que, para eliminar a desigualdade de gênero no mundo, mantendo o ritmo atual, serão necessários 99,5 anos.

Mas, e o presente?

A Trinova mostra aqui mulheres que contrariam as estatísticas e provam que o presente já é feminino. São mulheres que se destacam em diversas áreas, superando os entraves que a sociedade impõe, e tornam o presente um lugar mais agradável de se viver.

Marta
Jogue como uma garota

Na Copa do Mundo Feminina de 2019 só deu ela. Marta Vieira da Silva, aos 34 anos, atingiu a marca de 17 gols em Copas e se consagrou como a maior artilheira da história dos Mundiais. Em sua chuteira, a jogadora dispensou patrocinadores e estampou no calçado o símbolo da campanha Go Equal, que promove a igualdade de gênero nos esportes. A atitude foi ao encontro do recado emocionante que Marta deixou para as mais novas quando o Brasil foi eliminado da Copa: “O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim. ”

Karla Lessa
Heroína de Brumadinho

Muitos bombeiros atuaram como verdadeiros heróis na operação de resgate na tragédia de Brumadinho (MG), que deixou 257 mortos e 13 desaparecidos em janeiro de 2019. Na equipe estava Karla Lessa, a primeira mulher comandante piloto de helicópteros de bombeiros do Brasil. Ela foi responsável pelos primeiros resgates aéreos da região. Karla faz parte do Corpo de Bombeiros desde os 18 anos e é uma das únicas mulheres pilotas da corporação, composta por 28 homens.

Fernanda Montenegro
Orgulho na dramaturgia

Em 2019, a atriz Fernanda Montenegro completou 90 anos de vida e 70 de teatro. Arlette Pinheiro – seu nome de batismo – é a única brasileira indicada ao Oscar em categoria de atuação, primeira a ganhar um prêmio Emmy como melhor atriz e tem personagens fortes em quase 80 filmes, novelas e minisséries, além de centenas de peças de teatro. A comemoração dos 90 anos foi marcada pelo lançamento de três filmes, a corrida pelo Oscar – com o filme “A Vida Invisível”, que foi representante do Brasil para disputar vaga no Oscar de melhor filme internacional – e o lançamento da a autobiografia “Prólogo, ato, epílogo: Memórias”.

Marcelle Soares
Universo em ação

A fundação americana Alfred P. Sloan nomeou a astrofísica brasileira Marcelle Soares como uma das melhores jovens cientistas do mundo. Essa bolsa, que é concedida há 65 anos, já premiou vários cientistas que depois foram reconhecidos com o Nobel. Marcelle é Doutora em astronomia pela Universidade de São Paulo (USP) e lidera uma busca por imagens que tentam explicar como o universo se expande. Desde 2017 ela é professora de uma renomada universidade nos Estados Unidos.

Glamour Garcia
A dona do pedaço

A atriz brilhou na novela “A Dona do Pedaço”, exibida pela Rede Globo, interpretando Britney, trans como ela. Após enfrentar preconceito e assédio, a personagem terminou a trama casando com seu par romântico, interpretado por Pedro Carvalho. Além da boa aceitação do público, o papel também lhe rendeu o prêmio de atriz revelação no troféu melhores do ano do Domingão do Faustão.

Célia Xakriabá
Direito dos indígenas

Em agosto de 2019 aconteceu em Brasília a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, que reuniu 2 mil mulheres em defesa de seus territórios e contra a homofobia. Célia foi uma das organizadoras do ato. Ela é a primeira integrante do povo Xakriabá que concluiu mestrado e a única que indígena a cursar doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais. Após a Marcha, ela viajou por 12 países europeus, com uma Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, para debater os direitos indígenas como parte da campanha Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Mais.

Maju Coutinho
Sinônimo de representatividade

A jornalista assumiu a bancada do Jornal Hoje, da TV Globo, em setembro, mas antes disso já tinha feito história ao se tornar a primeira mulher negra a apresentar o principal telejornal do Brasil, o Jornal Nacional. Maju ficou conhecida por apresentar a previsão do tempo no telejornal.

Conceição Evaristo
Escritora do ano

A escritora mineira recebeu o título de personagem literária do ano pelo Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira. Conceição é autora de obras que orbitam sua “condição de mulher negra” e pela história de seus ancestrais, como Beco das Memórias, Insubmissas Lágrimas de Mulheres e Ponciá Vicêncio, e se tornou um dos nomes mais reverenciados das letras.

Jane Fonda
Casaco vermelho e ativismo

Inspirada pela ativista adolescente Greta Thunberg, atriz Jane Fonda, aos 82 anos, passou uma temporada em Washington para protestar contra o aquecimento global. Fotos dela vestindo um casaco vermelho e algemada foram constantes em jornais de todo o mundo. Ao longo de 2019, a atriz – que já ganhou dois Oscars – foi presa quatro vezes nos protestos. Aliás, sobre o casaco vermelho, ela garante que ele foi a última peça de roupa que comprou na vida, já que o consumismo desenfreado também faz mal ao futuro do planeta.

Ludmilla
A invocada

O ano que passou foi um de coragem para Ludmilla. A cantora assumiu o relacionamento com a bailarina Brunna Gonçalves, com quem se casou em dezembro. Fazendo do seu amor público, não se intimidou ao denunciar a homofobia que a atinge e chegou a declarar em entrevistas que perdeu contratos por “sair do armário”. A artista também usou suas redes sociais para denunciar o racismo que sofreu na cerimônia do Prêmio Multishow, onde alguém gritou “macaca” enquanto ela caminhava para receber o troféu.

Yasmine Sterea
Moda com propósito

Ex-editora de moda da revista Vogue, é criadora da Free Free, plataforma que tem entre os projetos convidar mulheres vítimas de violência a ressignificar seus traumas pela estética. No São Paulo Fashion Week, a Free Free fez um desfile com mulheres diversas – cadeirante, indígena, plus size, grávida, anã. Yasmine integra, também, em parceria com o Ministério Público de São Paulo, a campanha #a_gente, que convida homens e mulheres a lutarem juntos contra a desigualdade e a violência de gênero.

Adriana Carvalho
Igualdade nas empresas

O nome do cargo dela é grande: gerente da plataforma de princípios de empoderamento da ONU Mulheres. E a causa, nobre: estimular a igualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro. Adriana coordena o projeto que conta com a adesão de cerca de 300 empresas, como Coca-Cola, Renault, Uber, Unilever e Avon. Por meio do programa, a ONU Mulheres ajuda empresas a identificar diferenças em seus quadros de funcionários, principalmente em relação à disparidade de salários entre homens e mulheres e ao acesso feminino a cargos de chefia.

Irmã Dulce
Santa dos pobres

Em outubro de 2019, 34 anos após a sua morte, Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes foi canonizada pelo papa e se tornou Santa Dulce dos Pobres, a primeira mulher nascida no Brasil a ganhar o título da Igreja Católica. Dulce mostrou força em atos de caridade, que até hoje ecoam no imaginário do povo brasileiro. Ela dedicou sua vida a ajudar os pobres, criou centros de acolhimento e ergueu um albergue para atendimento, em 1948, que hoje é o Hospital Santo Antônio, um dos maiores da Bahia.

Winnie Bueno
Conectando livros e leitores

A acadêmica Winnie Bueno é criadora do projeto “Pede um Livro!”, no Twitter. Conhecido como Tinder do Livros, o @winnieteca busca conectar pessoas negras que querem ler, mas não têm acesso a livros, a pessoas que podem doar um exemplar. Engajador, o projeto migrou do perfil pessoal de Winnie na plataforma para uma conta própria, com apoio do Twitter e do site Geledés.

Phoebe Waller-Bridge
Estrela do Emmy

2019, definitivamente, foi o ano de Phoebe Waller Bridge. A inglesa marcou a história do Emmy, o maior e mais prestigioso prêmio atribuído a programas e profissionais de televisão. Atriz, roteirista e criadora da série Fleabag, ela levou os prêmios de melhor roteiro, direção, atriz principal e série de comédia. Para coroar a série de êxitos, Phoebe foi convidada para ser uma das roteiristas do novo James Bond.

Nina Silva
Gestão de negócios com consciência racial

A empreendedora criou o movimento Black Money para educar e criar uma rede de apoio para empreendedores negros. Formada em administração, trabalhou por anos como gerente de projetos em grandes empresas e enfrentou preconceito e resistência ao chefiar times de homens brancos. A atuação no mercado de gestão de negócios fez Nina ser eleita uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil em 2019 pela Forbes. Em 2018, já tinha sido escolhida entre as 100 pessoas afrodescendentes mais influentes do mundo com menos de 40 anos em uma iniciativa chancelada pela ONU.

Jessica Meir e Christina Koch
Mulheres no espaço

Em outubro, pela primeira vez na história da Nasa, uma equipe 100% feminina viajou ao espaço. As norte-americanas Christina Koch e Jessica Meir são as astronautas que protagonizaram a caminhada espacial. Elas foram designadas para corrigir uma falha no sistema de energia no lado de fora de uma Estação Espacial Internacional da Nasa. Até hoje, já foram realizadas mais de 200 missões no espaço desde 1965, porém mulheres só estiveram no espaço somente acompanhadas de profissionais masculinos.

Lizzo
Cantando o amor próprio

Melissa Viviane Jefferson, conhecida como Lizzo, alcançou o primeiro lugar nas paradas da Billboard – a lista HOT 100, publicada desde 1958, é um medidor de sucesso na música. O feito da cantora a eleva ao patamar de Beyoncé, Rihanna, Janelle Monáe e Cardi B, únicas negras a conquistarem o posto na história. A aceitação de seu corpo gordo e o empoderamento de mulheres negras são os temas trabalhados em suas músicas. No Grammy Awards 2019, ela liderou as nomeações e foi indicada em 8 categorias.

Petra Costa
Brasileira no tapete do Oscar

A cineasta mineira Ana Petra Costa foi indicada ao Oscar 2020 na categoria de melhor documentário com o Democracia em Vertigem, lançado pela Netflix em 2019, e aclamado pela crítica. Ao longo de três anos, Petra entrevistou dezenas de políticos de todo o espectro ideológico para retratar a crise político-econômica do Brasil. O filme também foi a única produção brasileira a receber uma indicação ao Critics’ Choice Documentary Awards 2019.

 

 

 

 

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