Aos 97 anos, Pierre Cardin é pioneiro na estética futurista da moda

por | 14 abr, 2020 | 0 Comentários

Estilista francês comemora sete décadas de trajetória com exposição em Nova York que reafirma seu legado.

É possível que este nome não seja o primeiro que venha à mente quando pensamos na história da moda. Grandes designers como Christian Dior estão mais na ponta da língua, não é? Mas Pierre Cardin fez – e faz – história. Inclusive, um dos seus primeiros trabalhos com moda foi justamente com Dior, em 1946, quando ele ajudou a criar a famosa coleção New Look. “Designers como Pierre Cardin são o futuro da haute couture”, disse o próprio Dior na época.

Um pouco de história: nascido Pietro Cardin, na Itália, ele mudou-se para a França com a família aos 2 anos, em 1925. Começou na profissão de alfaiate como autodidata aos 17 anos, e trabalhou em Paris com Paquin e Schiaparelli antes de ser contratado por Christian Dior. Em 1950, abriu sua primeira empresa, onde criava e vendia fantasias para o teatro.

1954 foi um ano importante. Cardin inaugurou sua boutique Eve, em Paris, e criou o bubble dress (vestido bolha): sucesso absoluto que o colocou definitivamente no mapa da moda. É um modelo usado até hoje, reinventado por décadas por diversos designers e marcas. Clássico, mas altamente inovador e futurista para a época. O futurismo, inclusive, é uma das marcas registradas do designer.

À frente do seu tempo, Cardin foi o primeiro designer de alta costura a vender suas peças em uma loja de departamento. Na década de 60, essa atitude era impensável. Foi o início do prêt-à-porter, também chamado de ready to wear, ou pronto para vestir. Na mesma época, Pierre abriu sua primeira boutique masculina, Adam. Para lançar sua primeira coleção focada no público masculino, ele contratou 250 estudantes da Universidade de Paris para desfilarem os modelos. Nos anos 70, Pierre Cardin visita a China e começa uma parceria que dura até hoje, com muitas colaborações e forte presença no país.

Sempre pioneiro

Além de ser o pai do prêt-à-porter, Cardin é pioneiro em diversas outras coisas. Na década de 70, ele se interessou muito pela ida do homem à Lua. Ele chegou inclusive a visitar a Nasa, e é até hoje a única pessoa a ter vestido um traje espacial oficial sem ser um astronauta.

Em 1991, foi o responsável por um grande feito na Rússia: realizou seu desfile na Praça Vermelha para 200 mil pessoas! Em 2016, apresentou um desfile na Academia de Belas Artes de Paris em comemoração aos seus 70 anos atuação na moda. Foi a primeira vez que o Instituto de Paris recebeu um designer de moda.

China

O relacionamento entre Pierre Cardin e a China começou no final da década de 70, precisamente em 1978. Ele foi o primeiro (sempre!) designer europeu a ir para o país asiático. Na época, a China ainda não havia passado pela sua revolução cultural, e a maioria das pessoas praticamente só usava roupas em tons de verde militar. Levar a moda ocidental para lá e realizar um grande desfile de moda era algo praticamente impensável, e um risco imenso – mas não para Pierre Cardin. Ele entrou de cabeça nessa ideia e, claro, foi um sucesso imenso. Cardin, que havia comprado o famoso e centenário restaurante francês Maxims de Paris, inaugurou no início dos anos 80 uma unidade em Pequim, ampliando sua atuação em território chinês. A curiosidade que este francês despertou nos chineses foi alta, e ele foi recebido e acolhido com muito carinho no país, tanto que seu nome era conhecido por todos na época, muito mais do que o então presidente da França, François Mitterrand. Hoje, após 41 anos de presença no país, Pierre Cardin tem mais de 20 marcas e produtos distintos no mercado chinês, e em 2018 um evento para a comemoração dos 40 anos da sua marca no país asiático também chamou a atenção: um desfile inteiro realizado no topo da Grande Muralha da China.

Beatles

Há uma grande controvérsia sobre os ternos usados pelos Beatles nos anos 60. A história conta que o alfaiate da banda, Dougie Millings, se inspirou na primeira coleção masculina de Cardin, Cylindre, para criar as peças que o quarteto usou tão notoriamente. Mas há uma entrevista de 1963 com os músicos de Liverpool na qual o próprio John Lennon responde à pergunta do repórter sobre os ternos: “Nós compramos em Paris, Pierre Cardin”. O vídeo está no Youtube, basta buscar Beatles True Live in Cheltenham Nov 1, 1963.

Celebração

Aos 97 anos, Pierre Cardin continua fazendo história. Uma exibição em sua homenagem está acontecendo no Brooklyn Museum, em Nova York, até 5 de janeiro de 2020. A exibição Future Fashion conta com peças do arquivo pessoal de Cardin, e atravessa décadas da carreira inovadora do designer. São mais de 170 itens incluindo peças históricas, acessórios famosos, móveis, ilustrações, fotografias pessoas e filmes, documentários e programas de TV que mostram o designer. O ambiente também foi cuidadosamente preparado para recriar o universo único de Cardin.

 

 

 

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