Cultura e economia criativa: todos saem ganhando

por | 14 abr, 2020 | 0 Comentários

Sérgio Sá Leitão, secretário de Cultura e Economia Criativa de SP, explica sua visão holística da relação entre cultura, geração de renda e educação.

Já ouviu falar em economia criativa?  O termo foi incorporado neste ano à nomenclatura da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. A Revista Trinova foi recebida no Palácio dos Bandeirantes, edifício-sede do Governo em SP, por Sérgio Sá Leitão, atual secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado, para uma entrevista esclarecedora sobre os ganhos que todas as esferas da sociedade têm com o desenvolvimento do setor da economia criativa.

Sérgio Sá Leitão assumiu a Secretaria de Cultura de SP no início de 2019 trazendo consigo grande bagagem. Jornalista e gestor cultural, ele foi Ministro da Cultura de julho de 2017 a dezembro de 2018. Dentre outras funções públicas, foi diretor da Ancine (Agência Nacional do Cinema), presidente da RioFilme e chefe de gabinete de Gilberto Gil no Ministério da Cultura.

Sá Leitão sempre foi grande porta-voz da economia criativa, esse termo que surgiu no ambiente acadêmico e designa um conjunto de atividades econômicas que tem como principal matéria prima a criatividade humana. Dentro do setor existe o núcleo artístico (audiovisual, literatura, artes cênicas e afins) e outro núcleo que abrange atividades funcionais realizadas com doses de criatividade (design, moda, arquitetura, publicidade, etc). Segundo o secretário, o governador de SP João Doria optou por incorporar a economia criativa na Cultura para evidenciar a dimensão econômica das atividades culturais criativas, que são grandes geradores de renda e emprego.

De acordo com ele, as atividades criativas respondem por 3,9% do PIB (produto interno bruto) de São Paulo e 2,64% do PIB do brasil. Além disso, 50% da economia criativa brasileira está situada em SP, sendo que metade é fruto do interior e litoral paulista.

“Se consolidou na sociedade uma visão de que a cultura é algo secundário. As pessoas têm dificuldade de enxergar a dimensão econômica e o impacto positivo que as atividades culturais e artísticas têm no desenvolvimento do ser humano. Elas geram inteligência, sensibilidade e repertório. A arte e a cultura qualificam o indivíduo e as tornam pessoas melhores”, afirmou o secretário.

Todos saem ganhando

Incorporar a economia criativa com uma abordagem certeira é a tática adotada pela Secretaria para fortalecer e impulsionar o crescimento da arte e cultura no Estado, e ampliar o acesso da população a bens e serviços culturais. “Isso é necessário porque a política cultural não beneficia somente artistas, mas também o conjunto da população, seja pela dimensão econômica ou humana”, disse.

Estudos de impacto econômico feitos por Sá Leitão enquanto Ministro da Cultura sobre investimentos em cultura demonstram que um investimento público na área tem triplo benefício. Os investimentos demonstram impacto positivo na geração de empregos qualificados; apresentam ganho humano nas pessoas que são impactadas por eventos culturais; e geram retorno financeiro pois o dinheiro investido volta para o Estado na forma de arrecadação de impostos. “No final da cadeia, há um retorno superior ao valor que o Poder Público investiu e esse dinheiro é aplicado em investimentos públicos em todas as áreas. Todos ganham. ”

Projetos efetivos

A potencialização da economia criativa é capaz de amenizar um grande problema em SP que é a alta taxa de desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos. Por serem atraentes, profissões desse nicho ganham espaço entre a faixa etária. Então, foi criado um programa em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico para formação e capacitação de jovens, focado em atividades de economia criativa.

Também foi lançado neste ano o ProAv (Programa de Investimento no Setor de Audiovisual de São Paulo), que disponibiliza R$ 200 milhões em empréstimos para o setor audiovisual em parceria com a Desenvolve SP, instituição financeira que fomenta o crescimento de empresas e municípios da região.  O programa oferece quatro opções de linhas de crédito, que começam a partir dos R$ 50 mil e vão até os R$ 30 milhões.

As duas primeiras linhas são voltadas para o financiamento ao capital de giro de micro, pequenas e médias empresas com faturamento anual a partir de R$ 81 mil. As demais oferecem créditos a longo prazo, para investimento em infraestrutura. Os prazos de pagamento chegam a até 10 anos, com até três anos de carência.

Uma visão holística sobre educação e cultura

Para Sérgio Sá Leitão, cultura e educação caminham juntos. “Compreender educação é algo mais abrangente do que simplesmente ensino. Acabamos desenvolvendo uma compreensão limitada do que é educação. As pessoas tendem a achar que é ensino e os próprios pais acreditam que tudo é resolvido a partir do momento que os filhos estão na escola. Educação é muito mais que isso, é formação de caráter, personalidade, valores, repertório, capacidades, sensibilidade, relacionamento e inteligência emocional”, disse o secretário. “Educação é muito maior que o ensino e a arte e a cultura são elementos imprescindíveis dessa visão holística”, completou.

Sá Leitão obteve na Secretaria de Cultura retornos objetivos com programas que materializam sua visão holística sobre educação e cultura. Áreas com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no Estado receberam os CEUs (Centro de Artes e Esportes Unificados). O Resultado? Quedas na taxa de evasão escolar, melhoria no desempenho dos jovens nas aulas, redução na taxa de internação por doenças cardíacas, na taxa de homicídio e melhoria significativa na segurança pública.

 2019

Passado praticamente um ano que Sérgio Sá Leitão está à frente da Secretaria de Cultura de SP, ele nos contou que um de seus focos em 2019 foi estruturar os aparelhos, programas e ações culturais para impactar mais pessoas e ampliar o acesso da população a atividades artísticas e culturais.

Um dos eventos que teve um resultado expressivo dessa reestruturação foi o Festival de Inverno de Campos do Jordão, que reúne shows e oficinas de música erudita. “Neste ano produzimos a melhor e maior edição do Festival. Em 2018 o público foi de 43 mil pessoas e, em 2019, 151 mil pessoas passaram por lá”, contou Sérgio acrescentando que o evento tem impacto significante na economia e turismo local.

O avanço também ocorreu na área de fomento a projetos culturais. Mesmo com o quadro de restrição orçamentária atual, a Secretaria lançou em 2019 a maior edição do ProAc (Programa de Ação Cultural) já feita. Foram lançadas linhas de incentivo totalizando R$ 154, 2 milhões para criação de teatro, dança, eventos e festivais, circo, artes visuais e música.

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