Greta Thunberg: conheça a jovem que foi um dos nomes mais procurados no Google em 2019

por | 26 mar, 2020 | 0 Comentários

A luta ambiental da ativista está ecoando nos seis continentes.

Você sabia que, em 2019, uma adolescente de 16 anos foi a mais jovem a ser indicada ao título individual “pessoa do ano” pela Time, uma influente revista norte-americana? Estamos falando da sueca Greta Thunberg – nome que você provavelmente já tenha ouvido ou lido em algum lugar, ainda mais em assuntos ligados ao meio ambiente. Mas, quem é Greta?

Em 2019, a ativista ambiental atravessou, em um veleiro movido a energia solar, o Oceano Atlântico de Londres a Nova Iorque para participar da Cúpula do Clima das Nações Unidas. Duas semanas de viagem numa embarcação sem banheiro, sem cozinha e com acesso limitado à internet.

O motivo: protestar contra a emissão de gases do efeito estufa e cobrar políticas de redução aos danos no clima e no meio ambiente.  São essas as bandeiras defendidas por Greta, que também luta pelos direitos dos animais. Hoje com 17 anos, a adolescente vem ganhando notoriedade em todo o mundo e inspirando gente de todas as gerações.

Nascida em Estocolmo, capital sueca, vegana e filha de uma cantora de ópera e de um ator de teatro, Greta já estampava manchetes dos noticiários antes mesmo de cruzar o Atlântico, também pelo enfrentamento ao governo e pela sua estridente luta. A fama começou em 2018: a intensa onda de calor e incêndios na Suécia fez com que ela deixasse de frequentar as aulas até as eleições gerais do país. Todos os dias, Greta ia até a frente do Parlamento e protestava pela redução da emissão de carbono prevista no Acordo de Paris – documento que define medidas para essas diminuições a partir deste ano.

Após o pleito eleitoral, a greve continuou às sextas-feiras. Protestos assim foram organizados em outros países e inspiraram estudantes. O movimento ficou conhecido como Fridays for Future – Sextas-feiras para o Futuro, traduzido para o português.

Luta

Numa palestra do TED, Greta contou que aos oito anos ouviu pela primeira vez sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global. A princípio, achou “surreal” a influência do ser humano nos danos ambientais. “Aos 11 anos eu fiquei doente, tive depressão, parei de falar e parei de comer.  Em dois meses, perdi uns 10 quilos”, revelou.

A jovem ativista afirma que a luta é baseada em provocar o ser humano a agir. Ela não pede solução da “crise ambiental”, pois defende que isso já aconteceu com as descobertas e inovações que possibilitam um mundo mais sustentável. Greta clama mesmo é por mais ação do que esperança e por menos venda de ideias.

Para a adolescente, de nada adianta a revelação de fatos e a evolução da ciência se os políticos e a sociedade não dão importância a isso. Até prêmio ambiental dado por um governo ela rejeitou, argumentando que quer mesmo é ver a ciência sendo ouvida.

Protagonismo precoce

O protagonismo feminino da ativista é forte logo na juventude. Greta soma 4 milhões de seguidores no Twitter e também usa a plataforma para protestos e declarações. Ela foi um dos nomes mais procurados no Google em 2019, ano que deixou de ir à escola para participar de outros importantes encontros mundiais que tratam da pauta que defende.

Greta está sempre acompanhada do pai, Svante. Mas, não é preciso de muito para perceber que a desenvoltura em público e as respostas e dados na ponta da língua fazem de Greta a “dona do próprio nariz” quando se fala em ativismo.

No livro “Nossa casa está em chamas: Ninguém é pequeno demais para fazer a diferença”, os relatos familiares mostram que na casa de Greta parece ocorrer o contrário de outras famílias: é ela quem influencia os pais, que aderiram ao veganismo – restrição de todos os alimentos de origem animal – e deixaram de andar de avião por conta das emissões de carbono.

Declarações

Greta tira aplausos, mas também incomoda autoridades. Em setembro de 2019, o Brasil entrou numa queixa feita por Greta e outros jovens na Organização das Nações Unidas. O documento denunciou que o país e outros quatro – Alemanha, Argentina, França e Turquia – não fizeram o suficiente para combater o aquecimento global e exigiu medidas dessas nações para proteger as crianças e os adolescentes dos impactos ambientais.

As declarações da jovem ativista provocam insultos a ela. Entre as tantas críticas, Greta foi ironizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e chamada de “pirralha” por Jair Bolsonaro. Ela rebate os comentários com firmes argumentos e mantém o foco na luta.

Greta pediu no Fórum Econômico Mundial de Davos que líderes mundiais deem mais atenção aos jovens ativistas. “A ciência e a voz dos jovens não são o centro da conversa, mas precisam ser”, defendeu.  Ao mesmo tempo que cobra as autoridades e famosos, a ativista também quer fazer as pessoas refletirem sobre como o estilo de vida delas tem peso nas mudanças climáticas.

Síndrome de Asperger

Aos 11 anos, Greta foi diagnosticada com síndrome de Asperger, transtorno de espectro autista que pode causar dificuldades de interação e comunicação. A adolescente diz não ver problemas nisso e, numa entrevista à rede de televisão CNN, chegou a dizer que isso a faz manter o foco no ativismo.

Na palestra do TED, Greta até tirou risos da plateia ao dizer que, muitas vezes, acha que os autistas são normais e que “o resto das pessoas é que são bem estranhas, especialmente em momentos de crise de sustentabilidade”. E são declarações assim que deixam notória a personalidade própria e a sensatez da adolescente.

Representante Brasileira

As palavras de Greta Thunberg se conectam ao protagonismo de jovens ativistas em todo o mundo. Aqui no Brasil, Paloma Costa Oliveira, de 27 anos, é autoridade na luta. Estudante de Direito na Universidade de Brasília (UNB), ela é Assessora do Instituto Socioambiental (ISA) e teve lugar de fala na abertura da Cúpula do Clima das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em setembro de 2019.

Paloma foi escolhida entre centenas de jovens de todo o mundo para discursar ao lado do secretário-geral da ONU, António Guterres, e de Greta. Lá, cobrou que os compromissos sobre um clima melhor sejam colocados em prática e defendeu a participação da juventude em discussões sobre o tema.  “Eu vi o mundo todo rezando por nossa floresta. Nós não precisamos de oração, precisamos de ação”, disse a jovem, numa declaração incisiva que rendeu aplausos.

Paloma também é fundadora do Ciclimáticos, projeto em que jovens andam de bicicleta por todo o país documentando histórias de gente que enfrenta as mudanças climáticas. Ela é uma das coordenadoras do Engajamundo, organização de liderança que mobiliza e defende a atuação do jovem para enfrentamento de problemas ambientais e sociais.

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