PIRACICABA RECEBE TÉCNICA VANGUARDISTA DE CIRURGIA ESTÉTICA NAO INVASIVA

por | 31 maio, 2021 | 0 Comentários

TECNOLOGIA PERMITE RESULTADOS SEM CICATRIZES OU A MELHORA DE EFEITOS CAUSADOS PELAS INTERVENÇÕES CONVENCIONAIS, TANTO NA FACE, QUANTO NO RESTO DO CORPO

Cada vez mais presentes em nossas vidas, as cirurgias plásticas têm atraído, progressivamente, a atenção de um número substancial de pessoas que procuram melhorar o seu bem-estar e a sua autoestima. Na atualidade, o Brasil é o país que mais realiza este tipo de intervenção estética e o número só tende a aumentar, porém, preocupações referentes à eficácia dos procedimentos e a segurança com a qual eles são realizados são quesitos importantíssimos e altamente avaliados pelos pacientes antes de qualquer tomada de decisão. Por isso mesmo, o avanço tecnológico nesta área é imenso e o interior paulista não pôde ficar de fora dessa.

Uma nova técnica de tratamentos minimamente invasivos para remodelamento de face e corpo chegou à Piracicaba através das mãos do cirurgião plástico Matheus Siqueira Masson, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS) e diretor clínico da BM Clinic, onde atua ao lado de sua esposa, a também médica Bruna Bernal, com o moderno conceito de medicina integrada entre as especialidades de cirurgia plástica e dermatologia, com foco na avaliação global da saúde da pele, corpo e bem-estar.

A plataforma InMode, também conhecida em outros países como The Next Step, é uma tecnologia de radiofrequência bipolar cirúrgica (RFAL – Radio- -Frequency Assisted Liposuction), que permite ao médico gerar resultados cirúrgicos sem cicatrizes ou melhorar os efeitos causados pelas intervenções convencionais. Através de quatro ponteiras, é possível tratar flacidez e gordura, desde pequenas áreas delicadas da face, como as pálpebras, até extensas áreas corporais, como o abdômen, os braços e as coxas, com a possibilidade de a técnica ser realizada apenas com anestesia local e com rápida recuperação.

A seguir, Matheus explica tudo o que é necessário saber sobre este novo procedimento, fala da necessidade de equilíbrio na busca pela beleza, da autoestima que ela provoca nas pessoas, da evolução tecnológica na medicina estética e sobre o futuro das cirurgias plásticas no Brasil e no mundo. Confira a seguir.

TRINOVA — Quando foi que a plataforma InMode chegou ao Brasil e, mais especificamente, ao interior paulista e quais os benefícios que ela pode trazer à população de toda a região?

MATHEUS — A tecnologia chegou ao Brasil no início de 2020 e foi prontamente adquirida pelo serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Para o interior paulista, eu fui o primeiro cirurgião a trazer o equipamento e, portanto, Piracicaba tornou-se pioneira neste tipo de técnica. O objetivo é expandir esta aplicação para toda a região e beneficiar pacientes que procuram por um tratamento eficaz, seguro e com a vantagem e possibilidade de ser realizado no consultório, com anestesia local, sem a necessidade de internação hospitalar. O InMode é utilizado em outros países desde 2016, principalmente nos Estados Unidos, onde foi consolidado nas principais clínicas de Nova York, em mãos de cirurgiões plásticos considerados referências mundiais na especialidade, o que também proporcionou grande conteúdo científico relacionado aos resultados e segurança. Desde então, acompanho os desdobramentos dessa tecnologia nos congressos internacionais, o que muito me encorajou a trazê-la aos meus pacientes.

TRINOVA — O que são as quatro ponteiras (BodyTite, FaceTite, AccuTite e Morpheus8)?

MATHEUS — A plataforma InMode é composta por quatro ponteiras diferentes, que são usadas de acordo com a área escolhida para o tratamento. A BodyTite é a maior delas, utilizada para realizar procedimentos em regiões maiores, como abdômen, mamas, braços, glúteos, joelhos e coxas. É uma ótima solução para evitar a flacidez e melhorar a definição e retração de pele pós-lipoaspiração, por exemplo. Em casos bem indicados, é possível subsistir a incisão clássica para a retirada de pele, em virtude do efeito de retração e estímulo de colágeno.

A FaceTite é a ponteira intermediária, indicada para a remodelação completa da face, pescoço e pequenas áreas corporais, como os braços. Sua tecnologia permite resultados semelhantes à de um lifting de face ou de uma braquioplastia (braços), sem a necessidade de cirurgia excisional (com cortes). Após o procedimento, os pacientes podem ir para casa e logo retomar suas atividades habituais. A AccuTite é a menor das ponteiras, utilizada para tratar áreas delicadas da face e do corpo, como sobrancelhas, pálpebras, bigode chinês, axila, interno de coxas e joelhos. Os pacientes que desejam a redução de gordura ou contração da pele com precisão, agora têm uma solução que pode ser feita sob anestesia local dentro de um consultório, sem cirurgia. Por fim, a Morpheus8 é a ponteira com radiofrequência fracionada, a única que é aplicada externamente na pele. Contém microagulhas que liberam a energia em profundidades diferentes para o remodelamento do colágeno. É a cereja do bolo, pois melhora ainda mais o resultado final em qualquer região da face ou do restante do corpo. Um caso emblemático pós-tratamento apenas com o Morpheus8 aconteceu no Reino Unido com Judy Murray, técnica de tênis, mãe do tenista Andy Murray.

TRINOVA — Qual é a vantagem da realização de um processo cirúrgico minimamente invasivo em relação a outros de ordens diversas?

MATHEUS — O procedimento cirúrgico minimamente invasivo InMode é realizado através de um pequeno orifício na pele, sem cortes ou suturas, portanto, a grande vantagem é a ausência de cicatrizes e o rápido tempo de recuperação, de, em média, dois dias. Se compararmos com a cirurgia convencional, além da cicatriz resultante, que pode ser extensa, o tempo de recuperação varia entre quinze e 45 dias, dependendo da região que foi operada.

TRINOVA — O resultado final da intervenção cirúrgica realizada, seja ela qual for, por estes novos métodos é idêntico ao dos procedimentos realizados, atualmente, de maneira mais invasiva?

MATHEUS — Depende do caso e da área tratada, bem como, dos hábitos de vida do paciente. Tanto na face, como no corpo, se as condições forem favoráveis, podemos sim chegar a resultados semelhantes ao de uma cirurgia convencional, porém, sem cicatrizes. Se o caso for extremo e indicado à cirurgia convencional, a tecnologia também entra para auxiliar e melhorar os resultados.

TRINOVA — Tanto o FDA (Food and Drug Administration), agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, quanto a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), aqui do Brasil, aprovaram estes procedimentos e asseguraram a sua eficácia e segurança? As pessoas interessadas em realizar uma cirurgia plástica podem ficar tranquilas em relação a estes dois quesitos?

MATHEUS — Sim, a aprovação do FDA é de 2016. Assim que chegou ao Brasil em 2020, rapidamente houve liberação da Anvisa e do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), o que faz de sua segurança algo bem estabelecido. Nesse quesito, seu diferencial é ser a única tecnologia médica que possui um controle duplo de temperatura, algo imprescindível para evitar queimaduras. No monitor, temos a descrição e o controle da temperatura interna e externa durante o tratamento, além de alertas sonoros, o que eleva, consideravelmente, o nível de segurança.

TRINOVA — Em uma seara mais pessoal, como o senhor vê esta busca pela beleza, tão presente nos dias atuais, e a estética como valor social em si?

MATHEUS — Parece atual, mas essa valorização é intrínseca a sociedade há muito tempo. Aristóteles já dizia que ”a beleza pessoal é uma apresentação melhor do que uma carta de recomendação”. A literatura de ciências sociais admite que a aparência física é um grande discriminador nos processos seletivos de mão de obra, com diferença salarial em até 10% para ambos os sexos, e também está relacionado com o sucesso econômico individual. Minha percepção como cirurgião plástico é que o caminho da beleza é o caminho do bem-estar. A busca e a realização de procedimentos estéticos são sempre legítimos quando trouxer bem-estar a alguém. Por exemplo, há pacientes que sofrem desde a infância com alguma deformidade congênita e outros que, simplesmente, envelheceram e não convivem bem com suas rugas. Nos dois casos, há um impacto significativo na autoestima e autoconfiança para enfrentar os desafios que a vida nos impõe. Todos devem ter direito à beleza, no sentido de estar bem com a imagem que é apresentada ao mundo. Promover a saúde externa é um grande exercício de amor que vem do interior de cada ser humano.

TRINOVA — O senhor acredita que cirurgias plásticas podem ser essenciais, em alguns casos, para que as pessoas alcancem a autoestima tantas vezes procurada por elas?

MATHEUS — Sem dúvida. As pessoas que recorrem às cirurgias para melhorar a imagem acabam tendo benefícios além da aparência. A autoestima elevada promove uma espécie de blindagem no cérebro, afastando problemas relacionados à autoimagem, como, por exemplo, a depressão, e auxilia até na recuperação de doenças, porém, há uma linha tênue entre indicação correta e banalização. O ideal é procurar um profissional qualificado e sério quando o incômodo com a aparência começa a alterar ou reprimir algum comportamento ou hábito.

TRINOVA — Como o senhor encara a gigantesca evolução tecnológica pela qual a área médica tem passado nas últimas décadas? A que se deve este avanço?

MATHEUS — Por muitos anos não houveram tecnologias voltadas para a cirurgia plástica, mas toda área de conhecimento caminha naturalmente nesse sentido. Um dos pontos relevantes foi a maior inclusão da mulher no mercado de trabalho, ocupando cargos de grande relevância e com maior valorização da aparência como apresentação pessoal, ao mesmo tempo em que surgiu uma nova preocupação com os tratamentos estéticos, em especial, com o tempo de recuperação e consequente afastamento das atividades laborais e sociais. Essa mudança de paradigma lançou uma nova tendência, de que procedimentos e cirurgias viessem a ser cada vez menos invasivos e com menor downtime, o que impulsionou o desenvolvimento de novas tecnologias que ajudam no refinamento, melhoram os resultados e, ao mesmo tempo, oferecem maior segurança ao médico e ao paciente.

TRINOVA — Qual é a sua opinião sobre o futuro das cirurgias plásticas no Brasil e no mundo? Elas contarão com franco crescimento nos próximos anos ou há algo que aponte para uma posição diferente, de queda ou estabilização?

MATHEUS — Atualmente, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos como o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, segundo dados da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética). Com o impacto das mídias sociais e o maior contato com a especialidade, a tendência é de crescimento nos números. Quando pensamos no futuro da cirurgia plástica, pensamos em procedimentos cada vez menos invasivos. A maioria das técnicas cirúrgicas e de processos não cirúrgicos evoluem no sentido de agredir menos os tecidos orgânicos, de diminuir o edema pós-operatório e a intensidade de hematomas e de prevenir complicações. As maiores preocupações do paciente hoje são com a segurança das intervenções e com a rapidez com que irão se recuperar, assim, os dados não mentem: nos últimos quinze anos, o aumento da procura por procedimentos cirúrgicos foi de 90% e por procedimentos estéticos foi de 500%. Assim, eu posso dizer que cada vez mais as grandes cirurgias, que acarretam maior risco de complicações e um tempo de recuperação mais longo, serão substituídas por técnicas minimamente invasivas, que trazem maior previsibilidade de resultados, têm uma incidência menor de complicações e demandam menos tempo de recuperação. Vale destacar que estudos animadores com células-tronco e terapia celular já são uma realidade e prometem ser o Santo Graal no futuro da cirurgia plástica e da medicina anti-aging.

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