A força do cooperativismo

por | 26 mar, 2020 | 0 Comentários

Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras, se as 300 maiores cooperativas do mundo se unissem e formassem um país, ele seria a 9º maior economia atual.

A consciência de que o “fazer juntos” pode render resultados mais satisfatórios e sustentáveis do que o “fazer sozinho” tem conquistado espaço na dinâmica da economia. Vivemos em um mundo compartilhado e é exatamente nesse ponto que se insere o cooperativismo, modelo que humaniza as relações socioeconômicas e, a cada ano, ocupa mais espaço no crescimento econômico mundial.

Assim como muitas das boas ideias surgem nos momentos de dificuldade, o movimento cooperativista teve suas bases lançadas durante a Revolução Industrial. O início ocorreu com um grupo de trabalhadores que, insatisfeito com a falta de empregos e os baixos salários pagos pelas empresas europeias, buscou alternativas para melhorar a situação. Já no Brasil, o cooperativismo começou a ser visto desde a colonização portuguesa e seu início oficial aconteceu em Minas Gerais, em 1889.

A proposta do cooperativismo se baseia no esforço de um grupo para alcançar benefícios comuns a seus integrantes. Pessoas com interesses coincidentes se unem para prestarem serviços entre si e obterem mais vantagens para todos. Esse modelo de associação cooperativa pode ser aplicado às mais variadas vertentes de negócios. No Brasil, as cooperativas são classificadas em 13 ramos de atuação: agropecuário, consumo de crédito, educacional, especial, infraestrutura, habitacional, produção, mineral, trabalho, saúde, turismo, lazer e transporte.

As cooperativas financeiras não têm fins lucrativos e os associados são usuários dos produtos e serviços e donos do empreendimento, tendo participação nas decisões e na divisão dos resultados alcançados pela instituição.

Números

O cooperativismo está presente em cerca de 100 países e, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2019, divulgado pela OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), em todo o mundo, as cooperativas contabilizam 1,2 bilhão de associados e empregam 280 milhões de colaboradores.

No Brasil, 5,2% da população é associada a uma cooperativa financeira. Nos Estados Unidos, esse número chega a 52,87%, de acordo com os dados mais recentes da Confebras (Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito).

Na Alemanha, as instituições financeiras cooperativistas administram quase US$ 700 bilhões em ativos. No Canadá são US$ 311 bilhões em ativos, na França, esse montante supera os US$ 4 trilhões. No Brasil, esse valor é de apenas US$ 77 bilhões.

Banco do Brasil estimula crescimento

Para estimular o aumento do cooperativismo de crédito no Brasil, o governo adotou como meta aumentar de 9% para 20%, até 2022, a participação de mercado das cooperativas nas linhas de crédito em que são competitivas. Entre elas estão: crédito pessoal não consignado, crédito rural e capital de giro para empresas. A estimativa foi apresentada em fevereiro pelo diretor de Fiscalização do BC (Banco do Brasil), Paulo Souza. A mudança ajuda a aumentar a concorrência com bancos e diminuir os juros para empresas e o consumidor final.

Até 2022, o BC espera que os cooperados concentrem 40% do crédito tomado nas cooperativas. A estimativa é que essas medidas levem o total de ativos dessas instituições de R$ 296 bilhões em 2019 para R$ 545 bilhões em 2022.

Em entrevista ao UOL, Paulo Souza afirmou que o Brasil possui 916 cooperativas de crédito e 10,1 milhões de cooperados. “Se as cooperativas fossem uma única instituição financeira, já seriam o sexto maior banco do Brasil. Atualmente, representam 5% dos depósitos de todo o sistema financeiro. Na França, são 60% e, na Holanda, 39%. Há espaço para crescer no Brasil”, afirmou.

Conforme o BC, atualmente, as cooperativas de crédito estão presentes em 2.600 municípios, mas a participação nas regiões Norte e Nordeste ainda é pequena. A meta é aumentar de 13% para 25% o percentual de municípios atendidos nessas regiões.

 

 

 

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