As convicções de Eduardo Oinegue

por | 3 abr, 2020 | 0 Comentários

O novo âncora do Jornal da Band conta para a Trinova sobre seu novo momento na carreira e revela suas concepções sobre o jornalismo brasileiro.

A frase “nunca é tarde para se reinventar” se aplica perfeitamente na vida profissional do jornalista Eduardo Oinegue. Aos 55 anos de idade e mais de três décadas de carreira na mídia impressa, Oinegue encarou um novo desafio este ano: ser âncora do Jornal da Band, principal telejornal da TV Bandeirantes.

No dia 13 de maio uma audiência de cerca de 350 mil domicílios acompanhou a estreia do Oinegue. “Você está vendo um rosto diferente aqui no ‘Jornal da Band’, né?! Eu ia falar um rosto novo, mas não dá para falar rosto novo porque só de jornalismo eu tenho 35 anos. Eu sou Eduardo Oinegue e a partir de hoje, aniversário de 52 anos da Band, eu assumo aqui a bancada ao lado de Lana Canepa. Juntos, a gente vai continuar a honrar o compromisso do Grupo Bandeirantes com a verdade, o compromisso do Grupo Bandeirantes com você.” Foi com essa fala que Oinegue assumiu oficialmente a bancada do principal telejornal da emissora após a morte do jornalista Ricardo Boechat, em fevereiro.

“No primeiro dia eu não quis entrar falando ‘boa noite’ e ler uma notícia, não se entra na casa de alguém assim. Quis fazer um comentário explicando o que eu estava fazendo ali”, contou Oinegue durante entrevista que concedeu à Trinova na sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação, em São Paulo.

Eduardo Oinegue começou no jornalismo aos 17 anos, fazendo jornal impresso de bairro. Ao se formar, fez o Curso Abril e foi trabalhar na Editora Abril, onde ficou por 20 anos. Trabalhou na revista Veja São Paulo. Depois, na revista Veja, onde foi repórter, editor, editor executivo e redator-chefe. Por seis anos dirigiu a sucursal da revista em Brasília. Atuou ainda como diretor de redação da revista Exame. O jornalista também é sócio da editora Análise Editorial, que produz diversos anuários segmentados.

Em 2016, ele iniciou sua jornada em outro meio de comunicação: o rádio, como colunista na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM. A voz, com tom característico de rádio para quem escuta, e os comentários ponderados fizeram sucesso. Ele foi convidado para apresentar o programa BandNews do Meio do Dia, o qual vai ao ar das 12h às 14h e a equipe Trinova acompanhou a gravação.

O currículo já entrega, Oinegue sempre foi dos bastidores das notícias. Expor sua imagem – ou voz – é uma novidade. Para ele, a TV requer uma formalidade que a rádio dispensa em alguns aspectos. “Na TV as pessoas estão te olhando então a imagem não pode ter nenhum ruído, como por exemplo uma postura errada”, disse. E para ao padrão da TV, o jornalista passou por um treinamento intenso. Para quem assiste o telejornal com a apresentação centrada do âncora, não imagina que, durante as cinco semanas que antecedeu a sua estreia, ele reapresentava o Jornal da Band diariamente junto com a equipe. O jornal saia do ar, o âncora levantava e Oinegue sentava e fazia tudo de novo, com a roupa e maquiagem. Tinha até simulações de problemas para ele saber o que fazer nos imprevistos ao vivo. Oinegue apresenta o telejornal ao lado da âncora Lana Canepa, que já tem vasta experiência como repórter televisiva. “A Lana tem o DNA da televisão e eu venho da mídia impressa. Sinto uma boa química, nos complementamos. ”

Sobre a sua performance como âncora – já muito elogiada – Oinegue prefere não se assistir. “Adoro assistir o Jornal da Band quando não estou apresentando. As edições que apresentei, às vezes assisto, mas sempre fica aquela sensação de que certos erros cometidos poderiam ser evitados. Tenho consciência de que meu desempenho melhorou desde a primeira edição, mas há muito ainda a avançar”, contou.

ROTINA HARD NEWS

Família, rádio, TV, e uma editora. Eduardo Oinegue precisa conciliar todas essas vertentes em sua rotina. Para isso, acorda 5h50 todos os dias, leva o mais novo dos três filhos para a escola e vai para academia. Quando retorna para casa, o cargo de comunicador já entra em ação e ele começa a se informar com as notícias do dia e trocar mensagens com as equipes dos jornais da TV e rádio sugerindo pautas. Ao meio dia ele entra no ar na BandNews FM com os apresentadores Carla Bigatto e Felipe Bueno. O editorial do programa fica por conta de Oinegue. A fala, que aborda temas que estão em discussão no momento, geralmente é preparada por ele no dia anterior. “Em geral, eu não durmo sem saber o que vou falar no dia seguinte, mas também é comum eu não falar o que programei porque novas notícias surgem”, comentou.

Às 14h o programa na rádio encerra e logo em seguida o jornalista se encontra com a equipe do Jornal da Band para a reunião de pauta da edição do dia seguinte – o do dia já está esquematizado. A gravação dos offs (áudios do apresentador que não são ao vivo) também são gravados com antecedência. Às 19h10 Oinegue se senta na bancada do estúdio para entrar no ar para todo o Brasil com o Jornal da Band, às 19h20.

JORNALISMO EM PAUTA

Com a vasta experiência na comunicação, Eduardo Oinegue já esteve à frente das coberturas jornalísticas de acontecimentos que foram divisores de águas na história do Brasil. No período em que dirigiu a sucursal da revista Veja em Brasília, por exemplo, comandou toda a cobertura que culminou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992. Quando questionado sobre o atual momento do jornalismo brasileiro, o profissional enfatiza que, diferente do alarde que as redes sociais promovem, o cenário nacional sempre foi tenso em relação à política.

“O jornalismo sempre esteve em discussão no Brasil, desde sempre. Isso acontece porque o jornalismo lida com uma matéria-prima que pode ser ardida: a verdade. Óbvio que me refiro ao bom jornalismo. E a verdade irrita porque não se curva a quem quer que seja. Nem aos poderosos, nem à loucura das redes sociais”, afirmou.

Oinegue está presente nas redes sociais, mas quando alguém o vê diante do computador pode ter certeza. Ele está pesquisando. Pode ser sobre turismo, política, economia, indústria pesqueira ou política internacional, pouco importa. O jornalista acredita que todo mundo tem direito a dar palpite. Mas opinião exige embasamento. “Tudo o que digo traduz o que penso. Mas nem tudo o que penso resiste a 15 minutos de pesquisa. E nesse caso, não digo. ”

 

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