Equilíbrio emocional: mantenha a calma com Monja Coen em tempos conturbados

por | 8 jun, 2020 | 0 Comentários

Líder espiritual continua levando palavras de tranquilidade e acredita que a pandemia desperta o ‘lado bom’ de muitas pessoas.

“As pessoas estão muito aflitas e precisam meditar”, avalia Monja Coen, a principal líder espiritual do Zen Budismo no país e conhecida na internet por tratar os problemas de forma leve. Aos 72 anos, está há três meses isolada em sua casa na capital paulista e não sai nem para ir ao supermercado. Neste período, Coen vive uma imersão para transformar a maneira de conectar a meditação ao mundo durante a pandemia de Covid-19.  

Em tempos conturbados, a Trinova traz um momento de reflexão nesta conversa com a zen budista inserida há mais de 40 anos nas práticas do Zazen – a ‘meditação sentada’. 

Coen, que significa “um só círculo”, é dona de uma voz calma e de humor contagiante. Assim, mesmo por telefone, é possível sentir a boa energia transmitida em cada palavra. Já de início, monja quebra o gelo da entrevista: “Agora estou sessentenada, não quarentenada”, brinca.

Um dos principais exercícios propostos por Coen é manter, a todo o momento, o foco na respiração e a calma num período desses, além da constante busca pelo autoconhecimento. E apesar de incerto até quando vai a pandemia, de uma coisa a monja tem certeza: a mudança repentina no mundo também está mudando o jeito de ser das pessoas, algo que ela vê como positivo. 

“O vírus está causando despertares de consciência. A maioria das pessoas vai passar a ter novas percepções da vida e dos comportamentos. E isso, em geral, vai mudar o mundo para melhor”, opina a religiosa, num tom que deixa clara sua grande sabedoria. 

O grande número de seguidores e de compromissos faz com que a budista de agenda lotada viaje para vários lugares do mundo e mantenha um canal de meditação no Youtube (Monja Coen). Ela é também missionária da tradição Soto Shu (escola japonesa do Zen Budismo) no Brasil.  

Jornada da Quarentena

As janelas do Templo Tenzui Zenji revelam os reflexos de uma tragédia anunciada. Há poucos metros dali está o Estádio do Pacaembu, que se transformou num hospital de campanha para internação de pacientes mais graves do coronavírus. A cena de ambulâncias e de pessoas saindo e chegando é uma das únicas visões do exterior de Coen nas últimas semanas. 

A situação é desoladora, mas a líder espiritual ocupa seu tempo, dentro do templo, levando a energia da tranquilidade às pessoas. Nas redes sociais, criou a série de vídeos “Jornada da Quarentena”, em que as palavras soam como música para os ouvidos e estímulo para a mente. Uma verdadeira reflexão e lição de como manter o equilíbrio emocional. 

No vídeo “Como desenvolver o amor próprio durante a quarentena”, Coen conscientiza: “Quando perceber que está entrando nesta onda descendente de tristeza, depressão, está na hora de dar um grito para você: aprecie a sua vida, levante, faça alguma coisa, porque cada momento de vida nunca é mais, é sempre menos”.

“Aproveite este momento em que está em casa para se alimentar daquilo que pode ser benéfico. […] Este estado de tristeza pode se transformar num estado de preces, orações e intenções boas para o mundo”, completa no vídeo. 

Já no conteúdo que questiona se o coronavírus é o nosso karma coletivo, Coen critica as ações egoístas e afirma que é preciso se libertar dos “três venenos” – ganância, raiva e ignorância – para viver melhor com o “eu” interior e exterior. “O que cada um de nós faz modifica este karma”, afirma.  

Aprendendo o novo

Por causa da idade, Monja Coen faz parte do grupo de risco de infecção da Covid-19. E a maior quantidade de gente a procurando fez com que tivesse de fazer uma nova “lição de casa”: está aprendendo a utilizar outras possibilidades de interação no ambiente digital. 

“Esses dois meses têm sido de muito aprendizado em lidar com as redes sociais e com plataformas de cursos. Dá uma ansiedade, e o brilho da tela do computador cansa um pouco, mas a gente vai aprendendo”, conta a líder espiritual.

Mesmo fisicamente longe do público, a monja está trabalhando em dobro. Ministra cursos em plataformas de ensino a distância, transmite lives nas redes sociais e grava os vídeos para o Youtube. 

Tamanha sabedoria, em alguns eventos da líder budista a procura é tanta a ponto de haver fila de espera. E mesmo sentindo falta do contato com as pessoas num mesmo ambiente físico, Coen reconhece a importância de se adaptar para até mesmo depois da crise. 

“O antes não existe mais, o antes acabou. E isso dá possibilidades maiores de interagir com as pessoas e com mais pessoas”, defende.

Nova rotina

Coen conta à Trinova que começou a sentir a mudança da rotina logo após os primeiros casos da doença confirmados no Brasil. Ela relata que chegou a ter uma palestra desmarcada em Florianópolis ainda em março. Imediatamente, a zen budista pediu o cancelamento de todas as atividades no Templo Tenzui Zenji, local em que recebe muitos visitantes e que também é a sua moradia. De lá, não saiu mais. 

“Claro que é uma situação triste, que preocupa. Mas é preciso mantermos um equilíbrio com nós mesmos, relaxar”, alerta.

Enquanto passa os dias em casa, Coen também propõe momentos de reflexão sobre o mundo. “É muita gente morrendo e, ao mesmo tempo, há algumas pessoas que ficam mais gananciosas ainda”, lamenta. 

A grave crise não impede que a monja – num esforço contínuo na busca e na transmissão da tranquilidade – veja um cenário positivo em relação ao lado espiritual e à solidariedade das pessoas. Para ela, o mundo, a cultura e as artes, por exemplo, vão mudar para melhor.  “Espero que esta mudança de mundo deixe as pessoas mais sensíveis, mas respeitosas com a natureza e com os outros e que haja menos discriminação e preconceito”, acrescenta.

Bom x Mau

A líder budista explica que, no período de enfrentamento da maior crise de saúde dos últimos tempos, é preciso mais do que nunca rever as atitudes com o próximo e com o bem material. “As pessoas estão ficando mais com os filhos, estão vendo que precisam de menos roupa, de menos comida. Isso tem que ser um exercício permanente”, diz Coen. 

“Vejo que as pessoas e as empresas estão se tornando mais solidárias. Mas há quem, em situações como essas, queira tirar vantagens. Vendem produtos por um preço muito maior, por exemplo. É uma pena, mas é uma minoria que não pode prejudicar a maioria”, acrescenta. 

Crente de que as pessoas são “o centro da vida” e das vibrações do mundo, Coen explica que a busca pelo bem-estar emocional, físico e espiritual em tempos de pandemia também deve ser realizada por meio de atitudes positivas com o próximo. 

“A gente sabe que o planeta está todo interligado, interconectado. Essa percepção de que juntos podemos superar dificuldades e que influenciamos no que acontece fará com que nos tornemos mais responsáveis”, completa. 

Saiba como enfrentar a pandemia com mais leveza

A Monja Coen afirma que a ansiedade durante o período de isolamento é natural, por conta das rápidas mudanças e das incertezas. Mas dá algumas dicas para diminuir o estresse durante o período: 

Descanso: evite acessar as redes sociais e os dispositivos eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir;

Leitura: antes de dormir, leia livros de filosofia e de questionamentos sobre a vida, por exemplo;

Meditação: fique alguns minutos em silêncio e com a coluna vertebral reta. Enquanto isso, controle a respiração, de forma profunda e lenta, até relaxar;

Ambiente: centralize a observação aos mínimos detalhes do lugar em que está, principalmente à natureza;

Refeições: mastigue e coma mais devagar e tente ficar em silêncio durante este momento;

Reclamações: pense mais em coisas boas e evite passar o dia reclamando. Também deixe de se sentir culpado pelas coisas ruins que acontecem. 

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