Jornada extrema. Lições, desafios e conquistas ao correr 320 quilômetros no Alasca

por | 3 jul, 2024 | 0 Comentários

Jabá, educador físico, personal trainer e palestrante, compartilha sua incrível experiência ao vencer a ultramaratona da Iditasport, enfrentando o clima hostil do Alasca, e o que aprendeu nesse percurso intenso

Leila Branco

Concluir a Iditasport no Alasca, uma ultramaratona de 320 km, é uma façanha para poucos. Joilson Ferreira, mais conhecido como Jabá, não só completou essa prova desafiadora, mas venceu, conquistando um feito extraordinário em sua vida. Foram três dias, 18 horas e 45 minutos superando o clima hostil da região. Educador físico dedicado, personal trainer, palestrante e ultramaratonista, Jabá tem uma trajetória marcada pela superação e pelo desejo de inspirar outras pessoas a atingirem seus objetivos, transformando a vida de muitos através do esporte.

Nascido na Bahia e vivendo em Piracicaba desde 1993, Jabá acumula mais de 200 corridas em quase três décadas, entre elas, além da Iditasport no Alasca, a Copa do Mundo das Ultramaratonas (Brasil, Vale da Morte nos EUA e Minnesota). Em seu livro “Um Brasileiro no Alasca”, escrito pelo jornalista Caio Albuquerque, Jabá narra uma das maiores aventuras da sua vida detalhando experiências, esforço mental e o árduo caminho até a vitória. Aqui na Trinova, ele compartilha alguns momentos dessa jornada extrema e inspiradora.

Trinova – Jabá, como começou sua trajetória nas corridas?

Jabá – Na minha infância e juventude, o que preponderou foram os desafios da vida. Travei uma luta diária para sobreviver na chapada Diamantina, interior baiano. Lá, nas redondezas de João Amaro, ainda descalço, dei meus primeiros passos nas corridas de rua. Em uma das poucas oportunidades que tive de subir na vida, subi em um ônibus e vim parar em Piracicaba há mais de 30 anos, onde agarrei cada chance que tive. Aqui, fiz minha família, conquistei amigos e desenvolvi meu lado competitivo. Tenho obtido muitas conquistas, na vida pessoal e profissional, mas cada uma delas chegou depois de muita dedicação e foco.

Trinova – Como surgiu a ideia de participar da Iditasport?

Jabá – Foi em 2018, após ótimos resultados em três grandes ultramaratonas. O desafio no Alasca exigiu uma preparação absurda. Preparei-me por quase um ano, sem saber o que me esperava. Realizei treinos diferenciados, tive acompanhamento médico específico, dieta e suplementação adaptadas e muito planejamento logístico. Tudo foi acompanhado pela minha família, profissionais qualificados e amigos que me apoiaram, me orientando e torcendo pelo meu sucesso.

Trinova – Quais foram os principais desafios durante a corrida?

Jabá – A prova da Iditasport tem um percurso de 320 quilômetros. São dezenas de corredores que realizam a competição a pé, de bike ou sky. Na maior parte do tempo, estamos sozinhos, no escuro e em uma natureza hostil às nossas condições físicas. São longos trechos percorridos em neve fofa, que nos afundam até o joelho. São morros e vales de rios congelados que nos confundem em uma imensidão branca e silenciosa. Acrescente-se ainda nesse conjunto de desafios a minha dificuldade com a língua inglesa na hora de pedir comida nos raros pontos de apoio durante a prova. Mas nada disso impediu que eu cruzasse a linha de chegada em primeiro lugar.

Trinova – Como foi sua rotina de treinamento até embarcar para o Alasca?

Jabá – Comecei a me informar sobre o que me esperaria naquele ambiente extremo e, para me adaptar, passei a treinar cerca de 160 a 180 km por semana, realizando longos treinos de corrida durante a madrugada. Fiz isso porque não podia parar de trabalhar e o silêncio e escuridão das madrugadas me prepararam para as condições do Alasca. Ainda no Brasil, treinei em câmara fria, arrastei pneus em ladeiras e perdi 17 quilos. Embarquei com minha esposa Luciana e meu filho João Pedro no final de janeiro de 2018, levando muitos equipamentos e roupas para suportar o frio de até –30ºC. Depois, realizei uma adaptação nos EUA antes de partir para o Alasca na primeira semana de fevereiro.

Trinova – Você enfrentou alguma situação perigosa durante a prova?

Jabá – Durante o trajeto, corri horas acompanhado por lobos uivando na imensidão escura, pensei em desistir algumas vezes, fui atropelado por um trenó e quase perdi um braço após tirar uma das luvas para fazer algumas fotos. Mas como todo esforço merece ser recompensado, quase no final da prova, já esgotado, fui abençoado com a visão da aurora boreal.

Trinova – O que essa vitória no Alasca representou para você?

Jabá – Muito mais do que uma vitória. Talvez uma das maiores lições da minha vida. Uma oportunidade encarada com muita seriedade, avaliando os riscos aos quais me submeti e aproveitando cada quilômetro contemplando a natureza divina e observando as reações do meu corpo e mente diante de um território tão diferente da minha realidade. Acredito que o êxito veio do meu planejamento, minha fé e a ajuda de tanta gente amiga que me acompanhou desde a preparação até hoje, que continua me dando força e saboreando comigo as minhas conquistas. E isso eu levo para a minha vida, todos os dias.

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