Mauricio Lima, diretor da revista Veja, conta sua trajetória e os desafios para o jornalismo de qualidade

por | 3 nov, 2020 | 0 Comentários

Diretor de redação da Veja revela em conversa exclusiva com a Trinova os desafios e transformações em momento de digitalização da produção jornalística mundial.

A Veja é a revista mais lida do país e completou 52 anos em 2020. Publicação semanal do Grupo Abril, o veículo se adaptou a diversas mudanças com o passar das décadas. No período de existência, foram 12 chefes de Estado e houve alterações de moeda, por exemplo. Mas outros fatores foram impactantes no “fazer” jornalismo profissional do veículo, como a chegada da era da pós-verdade – quando a opinião pública é formada mais por emoções do que por fatos – o aumento das fake news e a maior polarização política.

A história da Veja foi marcada no último ano por duas grandes transições: a compra do Grupo Abril por Fábio Carvalho e a troca da direção de redação – posição assumida por Mauricio Lima, jornalista de 47 anos formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e com cursos em duas das dez melhores universidades do mundo, Harvard e Stanford. Em seus mais de 19 anos de Grupo Abril, carrega no portfólio o trabalho em veículos renomados como Infoglobo, Valor Econômico e na Veja, em outros cargos.

Em conversa por vídeo em sua sala no Rio de Janeiro, Lima concedeu uma exclusiva para a Trinova, na qual relembrou momentos de sua carreira e compartilhou sua rotina. O extenso currículo é somado à personalidade estrategista e assertiva de Lima. Em meio à responsabilidade da posição, seu caráter leve e bom humor típico carioca deixam a conversa dinâmica.

Na prosa de quase duas horas, o líder faz uma reflexão dos desafios que a comunicação enfrenta nos últimos anos, como a adaptação das publicações para o meio online. Essa transição de formatos, inclusive, fez a Abril descontinuar diversos títulos nos últimos dois anos. Enquanto isso, a Veja, com suas cinco décadas, viu a necessidade de virar a página para o novo capítulo do jornalismo, sem perder o posicionamento com os assinantes.

Em meio às diversas visões pessimistas para o futuro da profissão, a grande circulação da publicação impressa garante a Lima ser enfático ao dizer que é otimista. “Eu não acredito que a revista vai acabar. Tem gente que já falou isso, que ‘todo o impresso vai terminar’. O jornal pode até ser, pela questão do papel, mas a revista é um papel mais agradável, uma experiência mais agradável. Então, eu vejo a revista durante anos e anos”, avaliou.

O diretor também trouxe números do digital: 40 milhões de visitantes online em alguns meses, “Hoje, temos um alcance muito maior do que tivemos na história. É muita gente”, afirmou Lima.

Jair Bolsonaro, Policarpo Jr. e Mauricio LIma

Jair Bolsonaro, Mauricio LIma e Policarpo Jr. (Foto: Antonio Milena)

Ao mesmo tempo do sucesso de audiência, também aumentam os discursos de ódio na internet, o que fica mais visível no processo de digitalização da Veja. Mensagens ofensivas de usuários da internet passam a ser disseminadas em conteúdos das redes sociais da Veja. Segundo Lima, o problema é que “as pessoas já têm opinião formada sobre tudo, basicamente dá uma olhada no tema e já saí escrevendo coisas”. Assim, o diretor afirma que o momento é de “nova jogada” para a revista ter novos planos para reforçar os ideais com o público.

“A credibilidade é o maior patrimônio que um veículo de comunicação pode ter”, enfatizou.

Além disso, com o estabelecimento das fake news em maior amplitude, a Veja, que luta contra esse tipo de jornalismo fraudulento há anos, aumenta o seu embate e segue no jogo da checagem dos fatos, desviando de acusações dolosas, como argumenta o diretor de redação. “Primeiro porque a gente paga por esses erros juridicamente e podemos ser processados. E detalhe: nós ganhamos 99% dos casos. A gente ganha quase sempre porque nós trabalhamos com documentos”.

Confira, abaixo, a conversa da Trinova com o novo diretor de redação da Veja.

TRINOVA – O que te fez seguir no jornalismo?
MAURICIO LIMA – Eu fui presidente do grêmio da minha escola e sempre gostei muito de política. Na verdade, era até curioso, porque naquele tempo, com 16 anos, eu era de esquerda e, agora, não sou mais. O cargo era de secretário-geral porque copiamos a função do Partido Comunista da União Soviética e fizemos um jornal que virou um sucesso na escola. Essa influência que eu passei a ter naquela pequena comunidade me interessou ainda mais por jornalismo. Eu sempre li e comecei a ler a Veja aos dez anos e adorava. Acompanhei toda a eleição do Collor e o caso Baumgarten. Agora, pedi para fazer uma matéria sobre as eleições municipais e me lembrei de uma que eu li na Veja desse período lá atrás.

TRINOVA – Tem algum jornalista na família?
MAURICIO LIMA –
Não tinha nenhum jornalista na família. Minha família é de engenheiros, basicamente, e alguns são médicos. Fui o primeiro a ser jornalista e fui fazer jornalismo em função dessa experiência na escola. Primeiro passei para o Jornal do Brasil, uma publicação muito forte que tinha no Rio de Janeiro, como estagiário. Logo depois surgiu o Curso Abril de Jornalismo que era feito no Brasil inteiro. Eram 1400 candidatos e apenas 40 passavam, e eu fiz a prova e passei. Então, comecei na Veja Rio, que era um suplemento, assim como a Veja São Paulo. Eu fazia matérias de cidades diferentes e gostava muito, mas sempre quis ir para a Veja. No primeiro ano da Veja Rio, eu fiz 19 capas de 52, e então o chefe da Veja na ocasião, o Mario Sergio Conti, diretor de redação na época, deu um toque em um editor e ele veio conversar comigo. Eu saí do Rio e fui para São Paulo para a Veja Nacional em 1998. Eu me lembro do primeiro dia, quando cheguei em um prédio na Marginal Pinheiros que tem uma antena e um heliponto e pensei “Meu Deus do céu, que loucura”. Eu não tinha dinheiro e comprei um terno azul marinho de microfibra para trabalhar. Era o básico de todos. Fui para São Paulo e minha mala não tinha nem rodinhas. Eu só usava calça jeans e fiquei no negativo no banco. E no começo era assim: a Abril pagava em dois dias, metade no meio do mês e o resto no final do mês. Eu só ficava azul nesses dias, não era fácil. E trabalhando, trabalhando… Eu acho graça hoje, porque a gente trabalhava até as quatro da manhã.

TRINOVA – A função de diretor de redação da Veja foi preenchida por outras seis pessoas (André Petry, Eurípedes Alcântara, Tales Alvarenga, Mario Sergio Conti, José Roberto Guzzo e Mino Carta). Qual é o legado que cada um deles deixou?
MAURICIO LIMA –
O Mino tem um mérito muito grande por ser o pioneiro, o que iniciou toda a cultura Veja. O Roberto Civita também participava bastante. Os dois beberam muito na Time, a nossa inspiração. Ao olhar a estrutura da revista, ela tinha e mantém até hoje os fact-checks (checagem de fatos), algo que não existia no Brasil, e nos inspiramos na forma que se fazia lá fora. A maneira como fazíamos jornalismo era uma revisão dos fatos da semana, dando importância para aqueles que a gente julgava mais relevantes. A maneira de contar histórias foi toda trazida da Time, e eu acho que o Mino foi muito bem-sucedido na hora de implantar esse projeto aqui no Brasil. Os primeiros 5 anos foram difíceis em termos de resultados financeiros, mas logo depois, ainda com Mino, começamos a ganhar dinheiro, a mostrar que era possível e que o público brasileiro estava gostando daquela proposta. Depois veio o Guzzo, que consolidou essa história de uma maneira brilhante nesse período. Ele ficou por 14 anos, e saímos de 200 mil para 800 mil exemplares e introduzimos outro tipo de pilar da Veja: o furo jornalístico. Foi quando começamos fortemente com essa questão de surpreender e impor uma agenda para o jornalismo brasileiro. O Mario Sergio intensificou isso. As pessoas queriam saber o que estava na capa da Veja porque aquilo influenciava muito fortemente o cenário político brasileiro. Ele aprofundou essa questão do furo e também de uma cobertura internacional diferenciada. A gente tinha correspondentes em vários locais naquele tempo. Isso porque não existia internet, não era fácil como é hoje. O Mario teve momentos geniais. Ele entrou para a história em um período que contribuímos demais para o impeachment do Collor. Esse é um dos marcos da história brasileira e da nossa também. Não que a gente se orgulhe de impedir este ou aquele presidente, mas participamos da história e fazemos nosso trabalho. A nossa missão é fiscalizar o poder, fiscalizar todos os poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Nesse período, fizemos o máximo possível com aquela entrevista do Pedro Collor, que era o irmão do Fernando. O Mário tem esse mérito e buscava muito isso, essa importância para a Veja nacional ele conseguiu. Depois veio o Tales Alvarenga, que já faleceu. Ele fez algo importante, que foi na diversidade de assuntos. A Veja fazia capa de educação, de saúde. Virou uma referência para a classe média bem educada brasileira. Sobre tudo o que estava acontecendo, as transformações, a internet e essa interiorização do Brasil. O Tales era apaixonado por essa caminhada rumo ao interior, ele achava as cidades muito grandes, inchadas, importante para o agronegócio. A Veja cresceu muito no tempo dele. Depois a gente teve mais recentemente dois diretores: o Eurípedes e o André Petry. Eu acho que o Eurípedes foi implacável em termos de tecnologia, porque ele veio dessa área e soube colocar várias matérias com anos de antecedência sobre a transformação que nós teríamos no mundo, na humanidade. Era um jornalista de ciência e tecnologia. Já falava sobre diversos fenômenos lá atrás, como o Facebook. Na parte política, fomos implacáveis com o PT, que havia colocado um sistema de corrupção institucionalizado. Ele lutou muito fortemente contra isso. O Eurípedes foi nessa briga bastante forte contra o PT, e as investigações do Ministério Público depois mostraram que os fatos aconteceram. O André Petry vem com outra missão, a de tentar sair dessa confusão, até porque tinha mudado o governo: era o Temer. Então o André chega com a missão de tentar dar mais equilíbrio para a Veja nesse aspecto, o que acabou gerando esse tipo de comentário “ele é de esquerda”. A Veja não é de esquerda, nunca foi. Se você olhar nos nossos pilares, nós somos de direita. Mas hoje, por exemplo, o governo é de direita e não vou ficar aplaudindo o tempo todo. Eu não posso fazer isso, porque não faz parte da nossa missão. Até elogiamos, várias vezes. Na Reforma da Previdência, maravilhoso. Aliás, se fizerem a Reforma Administrativa, eu dou uma capa. Sou absolutamente a favor. Reforma Tributária vai fazer? Genial! Aumentar exportações? Genial! Vou aplaudir. Agora a missão da empresa como um todo é apontar o que está errado.

Mauricio Lima e Leandro Karnal

Mauricio Lima e Leandro Karnal. (Foto: Antonio Milena)

TRINOVA – E qual o legado que você pretende deixar?
MAURICIO LIMA – O principal papel que preciso desempenhar para o meu legado é quanto ao processo de digitalização da Veja. Acho que estávamos muito atrasados nisso, embora o Eurípedes tenha visto lá atrás. Na verdade, andamos pouco em relação a isso. A gente tinha um problema de dupla personalidade na minha visão, que era o seguinte: éramos a Veja no papel, e no digital a gente parecia com os portais que existem por aí. A Veja tem que ser a Veja tanto no papel quanto no digital. Estou fazendo uma transfusão de DNA da Veja papel para a digital. Eu promovi algo que não tinha, que foi a integração dos times. Quando eu cheguei, tinha um editor de internacional para o digital e outro para o papel. Todas as editorias eram assim, com equipes separadas. O fuso horário era diferente. Eu chegava na redação, e a equipe do digital já estava lá, mas a do papel não. Era impressionante. Até fisicamente as equipes ficavam em lados diferentes, e eu acabei com isso. Hoje tem um editor para cada uma das editorias. Ele é o responsável pelo conteúdo tanto do papel quanto do digital, porque ele precisa comandar as equipes em determinada direção e ter os nossos critérios. Estávamos parecidos com os demais, e se você é parecido com aqueles pelos quais as pessoas não pagam nada, por que elas vão pagar para assinar? Não vão. Então, temos que ter a personalidade muito forte no digital. O nosso tipo de jornalismo, os nossos critérios. O meu objetivo é fazer com que a Veja seja a marca de jornalismo do Brasil de maior alto padrão. (Sugestão para diagramação: usar como olho).

TRINOVA – A conclusão da compra do Grupo Abril por Fábio Carvalho foi feita um mês antes da sua entrada na posição de diretor de redação. Como foi assumir o cargo em meio à tantas mudanças?
MAURICIO LIMA – Eu sonho em ser diretor de redação da Veja desde o primeiro dia em que pisei lá. Eu sempre pensei, sempre sonhei, eu trabalhei para isso. Então, não me assustei. Não foi algo que de alguma forma me causasse pânico ou temor. Eu sabia exatamente o que eu devia fazer, o que eu concordava e o que discordava da maneira como estava sendo feito e o que eu iria implementar. Então, se eu dissesse para você “foi uma grande surpresa”, seria mentira. Era uma possibilidade que eu vinha trabalhando. Eu estava na coluna Radar, eu falava com muita gente, tinha ampliado o meu sistema de fonte de informação, de pessoas com as quais eu falava. Eu estava muito antenado, sabia fatos da Abril antes de acontecer. Da Abril entrar em recuperação judicial, falei 6 meses antes. A mulher do RH me disse que eu não poderia tomar uma atitude e eu fui logo avisando que a Abril estava entrando em recuperação judicial. Foi exatamente o que aconteceu, e eu sabia porque circulava muito, falando com diversas pessoas. Foi uma das maiores alegrias da minha vida quando o Fábio me escolheu, porque eu o conhecia há bastante tempo. De vez em quando conversávamos e eu já tinha uma relação com ele. Eu trabalhei na Exame, do mesmo grupo e também fiz uma matéria sobre a Casa & Video em 2005. Quando o processo de compra começou, ele me falou que se concluísse, gostaria que eu estivesse no cargo, e um mês antes começamos a ter conversas mais profundas sobre quais seriam essas linhas e quais seriam os pilares da nossa administração. Ele é o único que sabe, por exemplo, qual vai ser a capa da Veja antes. Eu não conto para ninguém, é só ele. E ele aprova. Nunca disse não para nenhuma na história. Somos muito alinhados, ele está muito feliz com a nossa proposta, as questões que estamos colocando, as capas, as posições que temos assumido.

TRINOVA – Qual é a rotina de um diretor de redação da Veja?
MAURICIO LIMA –
Não é fácil. Durante a semana eu vou dormir entre 22h30 e 0h e acordo entre 5h30 e 7h. Normalmente eu tenho que acordar cedo para ver se tem operação da polícia, como está o nosso site, as newsletters que vamos soltar. Isso no digital. Existem dias mais cheios do ponto de vista de fechamento, isso porque a revista precisa do meu acabamento. Eu diria que os piores dias são quarta-feira para quinta-feira, e a própria quinta-feira, porque é quando acumula todo o trabalho digital com a reta final da revista. Os momentos difíceis são a sua decolagem e aterrissagem. Eu leio tudo que sai na revista, todas as matérias, todas as colunas. Não há nada que seja publicado que eu não tenha visto. No digital é diferente, porque enquanto conversamos nesse momento, existem matérias subindo. Ou seja, o meu dia é muito intenso. E ao mesmo tempo, eu faço questão de manter um contato com fontes. Hoje, por exemplo, tenho um almoço às 14h para conversar com uma pessoa que pode me contar algo importante, ou que pode me orientar sobre o sistema econômico. O jornalista está sempre aprendendo. Embora a rotina seja parecida, os assuntos não são. Antes era presencial, agora fazemos online. Toda sexta-feira eu tenho uma reunião com os plantonistas para dialogar anteriormente e dar conselhos. Estou sempre cobrando quando eu acho que a home não está boa, por exemplo. A capa da Veja é uma instituição, é algo que as pessoas prestam atenção. A home da Veja é isso. É uma missão, uma entrega absoluta. O tempo em que eu estiver será com essa paixão, com esse rigor, tentando fazer a Veja repercutir em relevância e apontar os caminhos para o Brasil.

TRINOVA – Como enxerga o futuro da profissão?
MAURICIO LIMA – O panorama é extremamente desafiador hoje. A profissão está em transformação. Você vê uma série de veículos que surgiram nos últimos tempos, acho até que alguns são bons. Outros, sinceramente, não são. Mas você tem uma fragmentação inócua na mensagem. Talvez isso até seja positivo em tese, mas hoje existem inúmeros problemas: essa fragmentação está dando força para fake news e para uma série de manipulações que não são positivas. Porém, o fato de você ter várias vozes é muito bom.

TRINOVA – Quais conselhos para quem quer ser jornalistas?
MAURICIO LIMA – Tem muita gente que é extremamente pessimista em relação a essa carreira, mas eu não acho isso. Uma das áreas mais dinâmicas da sociedade é a comunicação. É de extremo poder. Histórias terão de ser contadas sempre, por todos, por todas as empresas. Nós somos contadores de história. Sempre vai ter emprego e tem, e às vezes até muito bem remunerado. É importante que sejam histórias verdadeiras, na minha visão. Essa foi a carreira que eu escolhi. É História com H maiúsculo que a gente quer fazer. Eu diria que quem se empenhar e for atrás de forma que esteja disposto a fazer algo que é um jornalismo total, que não é só escrever. Pode ser falar, fazer um podcast. Vai ter espaço, vai ter carreira e vai continuar sendo muito necessário para a sociedade. Agora, não é fácil, mas nenhuma carreira é fácil. O mercado financeiro faz mais dinheiro? Mas não deve ser fácil, deve trabalhar muito. Se fosse fácil, todos seriam vitoriosos. É o esforço. Às vezes, você tem talento, mas se não se esforçar, a chance de ficar pelo caminho existe. Aliás, se você tem alguém que não tem talento, mas essa pessoa se esforça muito, a chance dela vencer é maior do que dessa que só tem talento. Agora, se tiver talento e se esforçar, você é invencível. (Sugestão para diagramação: usar como olho).

 

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