MÉDICA BRASILEIRA ESTÁ ENTRE AS CIENTISTAS MAIS INFLUENTES NO MUNDO

por | 6 jul, 2022 | 0 Comentários

UMA DAS MAIS RENOMADAS GASTROENTEROLOGISTAS DO PAÍS, ANGELITA HABR-GAMA, FOI RECONHECIDA PELA UNIVERSIDADE DE STANFORD E INCLUÍDA NA LISTA DOS 2% DOS PROFISSIONAIS QUE MAIS
CONTRIBUÍRAM COM O DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA PELO SEU TRABALHO PIONEIRO NO TRATAMENTO DE CÂNCER DE RETO

Por muito tempo, a intervenção cirúrgica foi vista como a solução imediata para tratar pacientes com câncer de reto baixo, cujo procedimento poderia resultar em complicações gravíssimas ao doente. Mas foi uma brasileira que alterou o paradigma mundial quanto ao método de tratamento dessa doença. O nome dela é Angelita Habr-Gama, cirurgiã, pesquisadora e professora emérita da Universidade de São Paulo (USP), que no início dos anos de 1990 apresentou ao mundo o seu protocolo pioneiro de que pacientes que respondiam bem ao tratamento de radioterapia e quimioterapia, com desaparecimento total do tumor, não precisavam ser operados.
Referência mundial em coloproctologia, que estuda as doenças do intestino grosso, do reto e ânus, a cirurgiã brasileira foi reconhecida pela Universidade de Stanford como uma das profissionais que mais contribuíram com o desenvolvimento da ciência. Seu nome está na lista, atualizada no fim do ano passado, em que figuram os 2% dos cientistas mais influentes do mundo. O relatório foi produzido por especialistas liderados pelo professor emérito John
Ioannidis, de Stanford, em parceria com a editora Elsevier BV.
Em conversa com a Trinova, Angelita compartilhou a importância desse prêmio para toda a nação. “Fiquei muito feliz por mim, pela medicina brasileira e pelo País. É um reconhecimento pela atividade global, de ensino, pesquisa e profissional às quais tenho me dedicado desde o início de minha atividade médica”, diz.
Angelita é considerada uma das mais renomadas gastroenterologistas do País e no auge de seus 90 anos se mantém ativa na profissão. Já são sete décadas dedicadas à ciência, iniciadas em 1952, aos 19 anos, quando ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Ao longo de sua trajetória, já acumulou conquistas importantes e pioneiras na área médica, abrindo espaço para o
potencial da mulher nessa carreira. Angelita foi a primeira a fazer residência no Hospital das Clínicas de São Paulo e
criou na instituição a disciplina de coloproctologia – área que estuda doenças do intestino grosso, reto e ânus. Também foi a primeira a chefiar o departamento de cirurgia da Faculdade de Medicina da USP e atualmente trabalha no Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

No início de 2020, de volta ao Brasil, após viagem à Europa, Angelita lançou sua biografia “Não, não é resposta”, escrita pelo jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão. Dias depois foi diagnosticada com Covid-19, quando não se sabia quase nada da doença, e passou 50 dias entubada no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Recuperada, sem sequelas, a médica se considera uma sobrevivente e acredita que a a experiência a fez valorizar
ainda mais a vida.

PROTOCOLO “WATCH AND WAIT”
Desde o início do século XX, o tratamento do câncer de reto se fundamentava na ressecção cirúrgica radical do segmento do intestino grosso no qual se direcionava a doença. De acordo com Angelita, a partir de 1928, tornou–se paradigma aceito mundialmente a chamada “amputação de reto” quando era detectado o câncer na última porção do intestino. “Nestes casos, a operação na busca de conseguir a cura do câncer incluía obrigatoriamente o estabelecimento do chamado ‘anus contra natura’ no qual a evacuação passa a ser realizada através de abertura artificial do intestino na parede anterior do abdômen, a colostomia definitiva, popularmente rotulada como ‘operação da bolsinha’. Este protocolo impunha ao portador do câncer verdadeira desfiguração do esquema corporal normal e obrigava ao uso definitivo e permanente de bolsa coletora de fezes”, explica Habr-Gama.
A revolução no tratamento do câncer do reto, com o protocolo da pesquisadora brasileira, iniciou com estudos após sua formação em cirurgia especializada na área da coloproctologia em um longo estágio no Hospital St.Marks, na Universidade de Londres, e no Hospital das Clínicas da USP, na década de 1970, em que mostrava que era possível preservar a complexa musculatura controladora da evacuação no ser humano.

A partir de 1991, no Hospital das Clínica da USP, no Hospital Oswaldo Cruz em São Paulo, a médica, buscando a cura
do câncer do reto de forma a reduzir o número de colostomias definitivas, passou a utilizar a radioterapia e quimioterapia de forma neoadjuvante, ou seja, antes de uma cirurgia, como também foi usada em outros países. “Observei que em todos os doentes ocorria a diminuição importante do tamanho e penetração do tumor, bem como que em cerca de 30% havia o desaparecimento total”, explica Angelita.
Foi dessa prática que foi estabelecido o tratamento conhecido mundialmente como “Watch and Wait”. “O nosso protocolo indica realizar primeiro a radioterapia e a quimioterapia. Com essa diminuição ou até desaparecimento do
tumor, ao invés de operar os doentes, passei a observá-los, daí o nome ‘Watch and Wait’. Se não houvesse, durante
o seguimento, recorrência do tumor, seguíamos com observação programada. Quando havia qualquer sinal de reaparecimento do tumor, era indicada cirurgia. Verifiquei não haver prejuízo às pessoas quando a operação foi diferida”, completa a cirurgiã.

Desde então já são mais de duzentos artigos científicos publicados e Angelita é reconhecida por alterar o paradigma mundial quanto ao método para o tratamento deste tipo de câncer. Foram anos de estudos, pesquisas e comprovações científicas que mudaram a vida de muitos pacientes. “Enfrentei muita resistência, porém, progressivamente, depois de apresentação sucessiva de nossos resultados, a estratégia ‘Watch and Wait’ foi aceita. Hoje o assunto é muito discutido e numerosos trabalhos têm sido publicados com resultados semelhantes aos nossos”, compartilha a médica destacando que, atualmente, com os protocolos mais modernos de radioquimioterapia, é possível ter o desaparecimento do tumor em mais de 50% dos casos e, então, poupar a indicação cirúrgica quando ocorre o desaparecimento total do tumor.

A IMPORTÂNCIA DO EXAME DE COLONOSCOPIA
Os dados do Ministério da Saúde apontam que o câncer colorretal é o segundo mais frequente no Brasil. Atuante, na prevenção da doença, a cirurgiã Angelita Habr-Gama é fundadora da Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapeci) e foi nomeada coordenadora no Brasil do Omge, que é o Programa de Prevenção do Câncer Colorretal pela Organização Mundial de Gastroenterologia.
Para a médica, a prevenção é essencial no diagnóstico precoce da doença e a realização do exame de colonoscopia
regularmente pode salvar muitas vidas. “O câncer colorretal tem a particularidade de ser reconhecida a sequência do adenoma para câncer. Quando se retira com o colonoscópio um pólipo adenomatoso, interrompe-se essa sequência. A prevenção é assim feita. Da mesma maneira a colonoscopia permite o diagnóstico precoce de um câncer já instalado”, revela Habr-Gama.

Com a pandemia, o volume de colonoscopias feitas no país reduziu 60%, de acordo com uma pesquisa feita pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Mas, Angelita faz um alerta: pessoas que já têm uma predisposição familiar, com parentes que tiveram câncer de intestino, devem estar mais atentos para fazer colonoscopia a partir dos 40 anos. Pessoas que não têm casos na família podem começar os exames a partir dos 50 anos.
Além dos fatores de risco genéticos e hereditários, o estilo de vida também influencia no desenvolvimento da doença. Para a médica, a má alimentação, com uma dieta pobre em fibras, rica em gordura animal e em corantes favorece a incidência desse tipo de câncer.

Não há segredo! Uma boa alimentação associada a hábitos mais saudáveis são cada vez mais determinantes na prevenção desta e de muitas doenças, além de aumentar as chances de uma vida mais longa e com saúde. Pense nisso!

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