PENSANDO FORA DA GARRAFA

por | 7 dez, 2021 | 0 Comentários

VINHO EM LATA É A MAIS NOVA TENDÊNCIA NO BRASIL E PROMETE REVOLUCIONAR O SETOR

Muitos brasileiros andam descobrindo que o prazer de um bom vinho não termina no último gole na taça. O interesse pela bebida é tão grande que vai além de apenas apreciar os sabores sofisticados que um bom vinho pode proporcionar ao ser apreciado. Além do aumento pelo interesse em degustar bons vinhos, algumas empresas buscam um diferencial.

Uma das primeiras fabricantes nacionais de vinhos enlatados, criada em 2019, a Vivant distribui principalmente nas raias brasileiras e espera dobrar o lucro nos próximos anos. (Crédito: Divulgação/ Vivant)

Sustentabilidade, boom do e-commerce, aumento do consumo de álcool na pandemia e a simplificação dos rituais enófilos se reuniram em uma receita que tem atraído novos consumidores e consequentemente, empreendedores que descobriram um nicho no segmento: o mercado de vinho em lata.

Ainda não há números exatos no Brasil. O que se sabe é que esse mercado ainda é muito pequeno, principalmente se comparado a países como os Estados Unidos. Por lá são registradas cerca de 580 vinícolas que oferecem 1.450 rótulos na lata de alumínio, segundo a consultoria WIC (Wine in Can) Research. Isso em um mercado que registra 11 mil vinícolas, enquanto no Brasil os números são bem pequenos, cerca de 1.200 vinícolas.

Ainda assim, o crescente interesse dos brasileiros tem levado a apostas de diversas marcas, somado ao fato de que o consumo de vinho no País cresceu 72% na pandemia, atingindo um patamar histórico. 

Para completar, os benefícios da nova modalidade de envase da bebida no Brasil é o fato do país reciclar mais de 90% do alumínio, com a tradicional garrafa de vidro, a taxa é menor que 50%.

Na Sauv, marca lançada pela Vinícola Góes em São Paulo, o vinho é produzido e envasado pela própria vinícola. A empresa espera vender entre 250 mil a 300 mil latas até o fim deste ano, com uma aposta bem maior para 2022, em que a empresa espera chegar a 1 milhão de lata vendidas.

“A gente está olhando para esse mercado desde 2018 lá fora. O vinho em lata não vem para substituir o vinho em garrafa, mas para ocupar uma lacuna do mercado que a garrafa não ocupa. É o mercado da cerveja, de outras bebidas alcoólicas que têm surgido e que descomplicam a ocasião, pois vai bem no piquenique, na piscina”, afirma Luciano Lopreto, diretor comercial da Vinícola Góes.

Segundo Lopreto, o parque de envase da vinícola tem capacidade para fazer 4 mil latas por hora, o que rende 600 mil latas por mês em um cenário modesto, com um apenas um turno de produção. 

Em meio a essa produção da Góes também estão as latas da marca Vibra!, do grupo Evino. A Vibra!, primeiro cliente em lata da Góes e que usa vinho fino da própria vinícola, foi lançada em setembro do ano passado e, em um ano, estima ter vendido 60 mil latas. O foco é o e-commerce do grupo, que até abriu uma loja ao vivo, a chamada live commerce, para vender vinhos.

Outra que se aventura nesse mundo do vinho em lata é a Vinho 22, marca lançada em garrafa em 2020 e iniciou a venda de vinhos em latas em edição limitada com 10 mil unidades – tudo com vinho da vinícola Lídio Carraro (RS).

A empresa afirma que foi procurada pela Amazon e, na parceria, tem as entregas de latas feitas pela própria gigante de Nicho e que reúne empresas de olho em descomplicar vinho fino fora da garrafa. 

E o sabor como fica?

A sommèliere Deise Novakoski explica que o vinho armazenado em lata tem os seus prós e contras. “O vinho envasado em lata no aspecto de praticidade é muito bom. Qualquer pessoa em qualquer lugar pode desfrutar da bebida, assim como outras bebidas mais populares. Agora se a pessoa quiser desfrutar de um vinho mais refinado com um sabor mais qualificado ela não vai encontrar essa qualidade em um vinho em lata por exemplo”, disse.

Para exemplificar, o que pode ser destacado é a quantidade de oxigênio. Em uma garrafa de vinho, há uma sobra de espaço que é ocupada por ar; já em uma lata, não existe esse excesso e a bebida fica mais justa ao recipiente.

Em decorrência disso, é preciso preparar o vinho antes do envase, pois a bebida não passará pelas mesmas reações que a armazenada em garrafas. Da mesma forma, o tempo de consumo deve ser mais próximo da data de fabricação do vinho.

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