Piracicaba é primeira cidade do interior paulista a realizar implante da nova geração de estimuladores cerebrais em paciente com doença de parkinson

por | 24 ago, 2021 | 0 Comentários

Procedimento inovador ajuda a postergar de 10 a 15 anos a queda da qualidade de vida das pessoas que sofrem da segunda doença degenerativa com mais casos no mundo, ficando atrás apenas do Alzheimer

A tecnologia da nova geração de estimuladores cerebrais traz uma revolução no tratamento da doença de Parkinson e Piracicaba entra para a história como a cidade do interior paulista que realizou o primeiro implante da nova geração de estimuladores cerebrais em paciente com Doença de Parkinson (DP). O procedimento foi comandado pelo neurocirurgião Dr. Fábio Garcia, que há 10 anos se dedica na busca de tratamentos diferenciados às pessoas acometidas por essa doença, que atinge cerca de 1% da população mundial com mais de 65 anos. Formado na USP de Ribeirão Preto, atuou no Hospital das Clínicas da USP, Sírio Libanês e atende em Piracicaba desde 2007.

Ainda pouco conhecido no Brasil, o implante é realizado em países de primeiro mundo pela melhora da qualidade de vida do portador de DP, principalmente na fase ativa da vida trazendo de volta sua autonomia. A tecnologia é capaz de fazer ajustes personalizados ao dia a dia do paciente, como momento de repouso, de trabalho e de exercícios. Os estímulos tornam-se dinâmicos de acordo com a pessoa e são acompanhados pelo médico por uma interface, que se parece com um tablet.  

O especialista conversou com a equipe da Trinova e explicou os benefícios desse procedimento inovador. 

TRINOVA: Dr. Fábio, o que é a Doença de Parkinson?

Dr. Fábio: É uma doença neurodegenerativa causada por uma morte dos neurônios dopaminérgicos presentes em uma região do cérebro conhecida como Substância Nigra, que provoca alterações motoras, como a rigidez dos músculos e tremor, sintoma este mais conhecido da doença. 

TRINOVA: Pode nos explicar o que é esta nova geração de estimuladores cerebrais?

Dr. Fábio: Trata-se de um implante de dois eletrodos extremamente finos por meio de dois pequenos furos, um de cada lado do crânio. O local do implante é pré-definido pela equipe cirúrgica, após avaliação, levando em conta os sintomas do paciente. Com um aparato tecnológico que dá precisão milimétrica, o procedimento permite ao cirurgião escutar os neurônios e saber exatamente onde o eletrodo se encontra. Os implantes são conectados a um marca-passo (muito semelhante a um marca-passo cardíaco), colocado no tórax, logo abaixo da clavícula. A técnica é minimamente invasiva, raramente precisa de UTI no pós-operatório e geralmente o paciente vai para casa no dia seguinte.  Algo muito importante: esta tecnologia não gera lesão ao cérebro. Seu objetivo é promover modulação por meio de estímulos específicos nos núcleos onde eles estão implantados, com ajustes feitos no consultório por um equipamento que lembra um tablet. Os ajustes não causam sofrimento ao paciente e são personalizados. 

TRINOVA: Qual a importância desta tecnologia no tratamento da DP?

Dr. Fábio: A maioria dos pacientes obtêm excelentes resultados com os medicamentos associado a fonoterapia e fisioterapia. Porém, uma parcela sofre com efeitos colaterais das medicações. O advento dessa revolução tecnológica, o DBS, Deep Brain Stimulation para Estimulação Cerebral Profunda, vem transformando a vida desses pacientes, pois a indicação não se limita a pessoas em estágio avançado da doença, mas também as que estão numa fase ativa da vida.

TRINOVA: Então, esse implante pode ser feito em todos os pacientes? Quais os benefícios? 

Dr. Fábio: Esta seleção é a parte mais importante do processo para evitar riscos desnecessários e alinhar expectativas reais.  Mas, basicamente é candidato a pessoa resistente ao tratamento medicamentoso e/ou apresenta muitos sintomas colaterais com os remédios. Por exemplo, existe o paciente entre 65 e 70 anos que caminha apenas com ajuda e precisa de auxílio no banho e na alimentação. E há também o paciente da mesma idade que até pouco tempo tinha uma vida normal, mas agora não consegue dirigir, tem dificuldade com computador, smartphone ou mesmo falar claramente e ingere até 20 comprimidos por dia. Esse paciente, quando apto ao implante, vê sua vida voltar ao mais próximo do normal, sentindo-se útil, resgatando sua dignidade e podendo voltar a conquistar sua independência.

TRINOVA:  Esse tratamento pode ser visto como uma possível cura para a Doença de Parkinson?

Dr. Fábio: Infelizmente não! O DBS é uma ferramenta maravilhosa que, segundo os estudos, pode postergar de 10 a 15 anos a queda da qualidade de vida. Ou seja, podemos adiar dos 65 para os 80 anos o progresso da doença. Um grande avanço ao pensar que a expectativa de vida do brasileiro está em torno de 75 anos. 

TRINOVA: Para encerrar, o procedimento é coberto pelos planos de saúde?

Dr. Fábio: Sim! O tratamento está no hall de procedimentos de cobertura dos planos de saúde regulamentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Sugestões de olho:

  • Esta tecnologia é uma ferramenta maravilhosa que, segundo os estudos, pode postergar de 10 a 15 anos a queda da qualidade de vida de quem tem a doença de Parkinson.
  • Piracicaba realizou o primeiro implante da nova geração de estimuladores cerebrais em paciente com doença de Parkinson.
  • Com um aparato tecnológico que dá precisão milimétrica, o procedimento permite ao cirurgião escutar os neurônios, saber exatamente onde o eletrodo se encontra e fazer ajustes personalizados de acordo com os sintomas do paciente.
  • Algo muito importante: esta tecnologia não gera lesão ao cérebro. 
  • O tratamento está no hall de procedimentos de cobertura dos planos de saúde regulamentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

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