Viagem ultrarrápida de São Paulo ao Rio de Janeiro

por | 8 jun, 2020 | 0 Comentários

Com o Hyperloop, trecho deve ser percorrido em 25 minutos com passageiros dentro de cápsula. Diretor da empresa responsável pelo projeto afirma que implantação do sistema no país já está em negociação.

Cinquenta minutos de avião e seis horas de carro ligam São Paulo ao Rio de Janeiro. Mas esse deslocamento poderá ser feito em apenas 25 minutos e em preço acessível a partir de 2025, se prosperar a implantação do Hyperloop, cápsulas ultrarrápidas e movidas a energia solar. “O Brasil está no grupo de países de médio prazo para a construção, e já estamos buscando parceiros para isso“, afirmou à Trinova Ricardo Penzin, diretor da Hyperloop Transportation Technologies (HyperloopTT) na América Latina, a empresa responsável pelo projeto. 

As duas maiores cidades brasileiras são separadas por 358 quilômetros em linha reta. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), estão na ponta da mais movimentada rota aérea do Brasil. Milhares de passageiros são transportados de avião todos os dias entre as capitais paulista e fluminense, na famosa “Ponte Aérea Rio-São Paulo”. A promessa é que as passagens do Hyperloop custem muito menos que as aéreas.  

Trajetos menores também são o foco da Hyperloop no Brasil. Como uma rota entre a capital paulista e Campinas, por exemplo, numa viagem que vai durar seis minutos. De carro, o trajeto leva cerca de uma hora. 

“São as rotas mais óbvias do país. Fazemos esses estudos, mas sem a realidade concreta de um interessado em construir”, explicou Penzin. Ele disse que os custos de implantação e de operacionalização deste tipo de transporte são relativamente baixos. 

Tecnologia flutuante

A proposta do transporte quase ultrassônico, que não precisa de um maquinista, se parece com ficção até mesmo no design. Segundo a HyperloopTT, os “vagões” podem transportar entre 40 e 50 pessoas e atingem velocidade superior a mil quilômetros por hora, chegando quase a do som. Isso graças à flutuação, sem qualquer atrito com os trilhos. Uma verdadeira levitação magnética.

Rapidez e tanto que literalmente dá para dizer que o Hyperloop é um “avião sem asas”, como diz a cantora Adriana Calcanhoto na música Fico Assim Sem Você. 

Além disso, as cápsulas vão circular em túneis à vácuo para que nem mesmo o ar seja um obstáculo na velocidade. O sistema é projetado para ser abastecido por energia solar e, claro, tem uma física que permite com que as pessoas respirem lá dentro. A nova opção de transporte permitirá ainda levar cargas.

Quem idealizou o conceito do Hyperloop foi o bilionário Elon Musk, dono da Tesla, que está inovando a indústria automotiva com a popularização dos carros elétricos e autônomos, e da SpaceX, empresa que levou, no fim de maio, norte-americanos para o espaço depois de nove anos dos Estados Unidos dependendo de foguetes russos. A SpaceX avança com os testes para que, em breve, qualquer pessoa (com muito dinheiro) possa viajar planeta afora. 

Apesar da ideia ser de Elon Musk, é a HyperloopTT que se interessou pelo sistema e que é responsável pelos projetos em todo o mundo. Com sedes em 40 países, tem 800 cerca de funcionários e reúne 50 empresas, cada uma responsável por uma parte das pesquisas e pelo desenvolvimento dos equipamentos. 

Hyperloop no Brasil 

O diretor da Hyperloop na América Latina explicou que a empresa de pesquisas apenas faz o projeto, enquanto a construção da linha e a operação do sistema de transporte depende de parcerias locais. “Estamos com uma rodada de investimento global aberta para investidores que acreditam em inovação e na necessidade de inovar”, afirmou Penzin. 

Ainda de acordo com Penzin, será possível aproveitar parte da estrutura da malha viária brasileira para a implantação dos túneis.  

O transporte em cápsulas já está em fase avançada para o funcionamento nos Emirados Árabes, com previsão de construção ainda para este ano. Nos Estados Unidos, um pequeno trecho já é usado para testes práticos. 

No Brasil, a Hyperloop planejava construir um polo tecnológico em Contagem, Minas Gerais. A prefeitura da cidade cedeu espaço para isso, e o governo mineiro demostrou interesse por uma parceria público-privada. Mas o dinheiro não foi liberado, e a HyperloopTT desistiu de instalar a unidade brasileira no município. 

“Estamos buscando parceiros para a implementação de um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil e na América Latina, com diversas possibilidades de desenvolvimento tecnológico”, afirmou Penzin.

 

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