DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO REDE DROGAL CHEGA AOS 85 ANOS EM FRANCA EXPANSÃO

por | 21 fev, 2021 | 0 Comentários

MARCELO CANÇADO, DIRETOR ADMINISTRATIVO DA EMPRESA, FALA DOS PROJETOS PARA O FUTURO DA COMPANHIA E TAMBÉM SOBRE AS EXPECTATIVAS PARA O BRASIL DO AMANHÃ

Quando Cyro Lopes Cançado, em agosto de 1935, fundou, junto a seu filho, José Agenor Lopes Cançado, e a seu genro, Paulo Afrânio Lessa, a Farmácia do Povo, em Piracicaba, jamais deve ter imaginado o que, 85 anos depois, seria de sua empresa. Atualmente, a Drogal é uma das principais redes de farmácias do país, com 203 unidades, distribuídas em 85 municípios de várias regiões do estado de São Paulo e com ousados planos de expansão. A pretensão é de abrir mais trinta unidades e alcançar outras dez novas cidades ainda este ano.

Administrada pela terceira e quarta gerações da família, a empresa, bastante respeitada e tradicional, está sempre atenta às mudanças no mercado e preocupada com a qualidade dos produtos
e serviços oferecidos a seus clientes. Além disso, se encontra constantemente em busca do desenvolvimento tecnológico, que possibilita maior agilidade, rotatividade e segurança na reposição de
estoques, estando incluso, neste contexto, a inauguração de seu mais novo centro de distribuição, que conta com mais de dez mil metros quadrados de área e capacidade para armazenar até dezessete milhões de itens.

Como se não bastasse, a companhia tem o DNA voltado à área social e é referência em projetos beneficentes, esportivos e ambientais. No final de 2019, como forma de homenagear um de seus cofundadores, foi criado o “Instituto José Cançado”, que possibilitou a ampliação do já grande portfólio de ajuda existente para diversas entidades assistenciais.

Para falar sobre tudo isso e muito mais, conversamos com Marcelo Cançado, diretor administrativo da Rede Drogal. Além dos temas já mencionados, ele tratou ainda da sucessão nos
negócios da família, do futuro do empreendedorismo e das expectativas para o Brasil pós-pandemia. Confira a seguir:

TRINOVA — Como a Drogal passou de um pequeno comércio familiar para uma das maiores cadeias de drogarias do país?
MARCELO CANÇADO — Principalmente, por conta de foco, resiliência e planejamento. Até 1995, só para se ter uma ideia, a Drogal contava com presença, não só no varejo, mas também no atacado, com uma distribuidora que vendia para terceiros e que era o grande eixo da empresa. De lá para cá, o enfoque mudou, direcionando a nossa atenção 100% para o varejo. A partir de 1998, começamos a fazer planejamentos anuais para o futuro, estabelecendo estimativas para a abertura de novas lojas e estudos de mercado para a definição das cidades que as abrigariam. Aos poucos, extrapolamos os limites de Piracicaba e das localidades próximas e fomos além. Além disso, sempre contamos com uma ótima equipe de colaboradores e isso fez toda a diferença.


TRINOVA — A Drogal ainda é uma empresa familiar, administrada profissionalmente, ou este caráter familiar se perdeu com o tempo?
MARCELO CANÇADO — Não, de maneira nenhuma. A Drogal é, de fato, familiar, mas bastante profissionalizada. Todos os gestores estudaram muito e estão sempre se atualizando sobre as principais tendências do varejo farmacêutico. As características administrativas da família continuam muito presentes e não queremos perder isso de jeito algum. É um modelo de gestão que vem dando certo. Porém, isso não nos impede de melhorarmos sempre, de buscarmos novas oportunidades e de nos atualizarmos tecnologicamente. Entendemos que isto, hoje, é imprescindível para que qualquer empresa possa se manter no mercado. O fato de sermos uma empresa familiar ajuda a manter a proximidade com os nossos colaboradores e não há tecnologia que possa substituir o fator humano nos negócios. Isto é fundamental.

EM LINHAS GERAIS, TEMOS TIDO UM CRESCIMENTO NO NÚMERO DE FILIAIS ENTRE 10% E 20% AO ANO E INICIAMOS 2020 COM 170 LOJAS E TERMINAMOS COM DUZENTAS. SE CONTINUARMOS NESTE RITMO, ACREDITO QUE, EM 2030, CHEGAREMOS A SEISCENTAS UNIDADES

TRINOVA — Em relação à sucessão familiar, como vocês lidam com o assunto?
MARCELO CANÇADO — Atualmente, parte da gestão da empresa já na está quarta geração da família. Além de mim, tem o Ricardo (Cançado), diretor comercial, que é meu irmão; o Roberto (Lessa), que é meu primo, e que apesar de não atuar mais na direção, é sócio e faz parte do Conselho, e o Thiago (Cançado), diretor de expansão, que é meu sobrinho. A gente vê sim, no futuro, uma necessidade de ampliar o número de diretores, seja por meio de herdeiros ou de terceiros, e a questão da sucessão é algo que sempre está no nosso radar, pois é um processo inevitável para todas as empresas que desejam permanecer ativas.

TRINOVA — A maior parte dos membros da família trabalha na empresa ou exerce outras atividades?
MARCELO CANÇADO — Na atualidade, somos apenas nós quatro. Porém, no passado, outros membros da família também fizeram parte do quadro de colaboradores da Drogal.

TRINOVA — Quantos colaboradores trabalham, atualmente, na Rede Drogal?
MARCELO CANÇADO — Cerca de quatro mil.

TRINOVA — Durante a pandemia, como foi trabalhar com tanta demanda e com uma equipe tão diminuta?
MARCELO CANÇADO — Logo de início, afastamos todos os colaboradores pertencentes a grupos de risco e aqueles que, eventualmente, pegaram a Covid-19 ou tiveram contato com pessoas atingidas pela doença. Montamos um protocolo de proteção, tanto em relação a cuidados internos e pessoais, quanto a medidas preventivas relativas ao atendimento ao cliente. Ao final, após muito planejamento, optamos por manter todas as unidades em funcionamento, com equipes auxiliares, organizando um grande remanejamento de pessoal.

Marcelo Cançado

Marcelo Cançado, diretor administrativo da Rede Drogal

É IMPORTANTE MANTER-SE PERMANENTEMENTE CERCADO DE BONS PROFISSIONAIS, POIS ELES AINDA FAZEM A GRANDE DIFERENÇA ENTRE O SUCESSO E O FRACASSO DE UM NEGÓCIO

TRINOVA — Vocês têm a pretensão de continuar expandindo a empresa?
MARCELO CANÇADO — Sim. Nosso plano de expansão para 2021 prevê a abertura de mais trinta unidades e o alcance de mais dez novas cidades onde ainda não nos encontramos presentes.

TRINOVA — Até 2030, a expectativa é de a rede estar formada por quantas lojas?
MARCELO CANÇADO — Embora isto seja definido em nosso planejamento anual, existem vários fatores que podem influenciar a velocidade da abertura de novas unidades. Em linhas gerais, temos tido um crescimento no número de filiais entre 10% e 20% ao ano e iniciamos 2020 com 170 lojas e terminamos com duzentas. Se continuarmos neste ritmo, acredito que, em 2030, chegaremos a seiscentas unidades.

TRINOVA — A rede trabalha com o sistema de franquias? Se não, esta possibilidade está em estudo pela companhia?
MARCELO CANÇADO — Não trabalhamos com o sistema de franquias e, por enquanto, isto também não está no nosso radar. Temos certo receio em associar a marca Drogal a uma franquia. Em primeiro lugar, por não querermos terceirizar responsabilidades e, em segundo, por conta do ramo da saúde ser bastante complexo e requerer uma atenção especial daquele que nele trabalha como gestor. Queremos manter nosso foco total na qualidade do atendimento ao cliente.

TRINOVA — Há o objetivo de alcançar partes do território nacional em que a Drogal ainda não se encontre presente? Se sim, existe alguma proposta neste sentido?
MARCELO CANÇADO — Há muito ainda por ser explorado em território paulista, mas também já estamos próximos de Minas Gerais, onde ainda não contamos com nenhuma loja, mas temos pretensão de adentrar. Só  não o fizemos ainda, em especial, por conta da questão tributária e da necessidade de estabelecermos um grande número de unidades para a ampliação ser viável. A dificuldade também está na logística. Em algum momento isto acontecerá, ainda que não haja um prazo estabelecido atualmente.

TRINOVA — A Drogal inaugurou, em 2020, o seu novo centro de distribuição. Qual é a importância deste projeto, o que muda na organização do trabalho e o quanto eleva o patamar atual da companhia?
MARCELO CANÇADO — Esta inauguração foi um marco para a empresa e, de fato, nos coloca em outro patamar. Até então, tínhamos quatro centros de distribuição, cujas atividades foram transferidas para este novo local. Com eles, a gente acabava tendo um retrabalho muito grande. No atual, localizado em Piracicaba, conseguimos concentrar todos os produtos, em maior número, com maior variedade e com ganho em agilidade. Só para se ter uma ideia, conseguimos diminuir o tempo de descarga dos caminhões de quarenta para quatorze minutos. E a melhora é visível, inclusive para os colaboradores, pois a área é muito mais espaçosa e arejada.

TRINOVA — A empresa colabora com projetos sociais, esportivos, ambientais e beneficentes. Fale sobre algumas destas iniciativas.
MARCELO CANÇADO — A Drogal colabora, principalmente, com entidades voltadas ao auxílio a idosos e crianças, em especial, por meio de ferramentas como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), a Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e o Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC). No final de 2019, também foi criado o “Instituto José Cançado”, cujo nome é uma homenagem ao meu pai, que foi um grande filantropo. Por meio do Instituto, conseguimos centralizar tudo aquilo que se refere a doações e afins, ampliando o nosso portfólio de ajuda para muitas outras entidades. Nesta pandemia, por exemplo, auxiliamos muitas delas com remédios, álcool em gel, máscaras, entre outros itens. Com esta organização, aumentamos também a atenção aos colaboradores. O estresse e a depressão são os males deste século e nós passamos a fornecer, quando necessário, ajuda psicológica a eles com profissionais especializados na área.

NA ÁREA DE SUSTENTABILIDADE, UM DOS PROJETOS PARA 2021 É REDUZIR EM, PELO MENOS, 50% A UTILIZAÇÃO DE PAPEL DENTRO DA EMPRESA, E ISTO, A TECNOLOGIA JÁ ESTÁ NOS AJUDANDO A FAZER

TRINOVA — O que significa para vocês a Drogal ter vencido o “Prêmio Varejo, Serviço & Indústria de Responsabilidade Social e Sustentabilidade”, promovido pela ACIPI (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba) e pela UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba)?
MARCELO CANÇADO — Significa o reconhecimento do trabalho que há anos a gente desenvolve nestes setores (da responsabilidade social e da sustentabilidade) e o incentivo para continuarmos sempre buscando o melhor. Este prêmio nos mostra que estamos no caminho certo. Na área de sustentabilidade, um dos projetos para 2021 é reduzir em, pelo menos, 50% a utilização de papel dentro da empresa, e isto, a tecnologia já está nos ajudando a fazer. Desde o ano passado, participamos também de um consórcio que investe na construção de usinas de energia renovável. Em breve, toda a energia utilizada pela empresa virá da chamada “energia limpa”. Por fim, há anos, reciclamos todas as caixas de papelão que recebemos em nosso centro de distribuição. A verba obtida com a venda deste material é 100% destinada a ações sociais.

TRINOVA — O que uma empresa precisa fazer para continuar crescendo e se renovando e não perder espaço para a concorrência ou, até mesmo, vir a fechar?
MARCELO CANÇADO — Primeiramente, é preciso ter foco e definir suas metas a curto, médio e longo prazo, sempre buscando por inovações que a diferencie de seus concorrentes. Conhecer o mercado de atuação, entender os hábitos e as necessidades de seus clientes e estar sempre atualizado (principalmente, em relação às novas tecnologias) são fatores fundamentais. Também é importante manter-se permanentemente cercado de bons profissionais, pois eles ainda fazem a grande diferença entre o sucesso e o fracasso de um negócio. O comprometimento e o contato humano continuam sendo importantíssimos. Independentemente do tamanho de seu concorrente, o Sol nasce para todos. Todos começam pequenos. Basta que a empresa fique atenta para aproveitar as oportunidades.

TRINOVA — O que é preciso fazer para que os colaboradores de uma empresa estejam sempre motivados?
MARCELO CANÇADO — Primeiro, eles precisam ter o exemplo. De cima para baixo, o exemplo precisa ser dado. Se você não o der, não vai poder exigir nada de ninguém e todo mundo vai se achar no direito de fazer o que quiser. Depois, é fundamental contar com gestores que não só motivem e deem o exemplo, mas que ensinem, que passem o conhecimento adiante e que observem o ambiente de trabalho para captar as necessidades de seus colaboradores.

TRINOVA — Como o senhor vê o futuro do empreendedorismo no Brasil, não só no pós-pandemia, mas também no pós-crise econômica?
MARCELO CANÇADO — Sinto que o brasileiro tem uma enorme vocação para empreender. Acredito que o futuro estará na tecnologia, pois vivemos em uma sociedade cada vez mais digitalmente conectada. Este movimento já acontece, principalmente, por meio das startups. Inclusive, nós criamos a Farma Ventures, um hub de inovação a fim de desenvolver novas startups. Então, eu penso que o empreendedorismo vai por este caminho. As fintechs, que começaram pequenas e hoje são gigantes, são um exemplo do que eu digo. Isso mostra que esse já é o principal modelo de empreendedorismo, de desenvolvimento de novos negócios e de novos canais e de maneira sustentável.

TRINOVA — O que esperar do Brasil (e do mundo) para 2021?
MARCELO CANÇADO — A vacinação será um ponto fundamental. O Brasil é um país com dimensões continentais e até que ela chegue a todos, vai um tempo. Mas alguns setores tiveram um bom ano em 2020, como o farmacêutico, o da construção civil e, principalmente, o do agronegócio. Outros sofreram muito. Acredito e espero que 2021 seja um ano menos difícil. Tudo depende do controle da pandemia e de ferramentas para lidarmos com esse novo cenário mundial pós-Covid-19.

 

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