Humanização para salvar vidas: Christianne Amalfi

por | 25 mar, 2020 | 0 Comentários

Oncologista Clínica há 30 anos, a Dra. Christianne Amalfi se dedica à missão de salvar vidas e tornar o tratamento de pacientes com câncer mais leve e humanizado. A mesma missão é aplicada na Fundação Ilumina, onde ela é Presidente Executiva.

Natural do Rio de Janeiro, Christianne veio para Piracicaba por conta do marido. Na cidade, fincou raízes também profissionais. Há cinco anos, foi convidada pela médica Adriana Brasil, fundadora da Fundação Ilumina, para ser Diretora Clínica da entidade, que trabalha há 12 anos em Piracicaba na prevenção e diagnóstico precoce do câncer. “Organizei em torno de 15 médicos especialistas em câncer e uma equipe multidisciplinar”, conta.

Há dois anos, a Fundação foi contemplada com uma verba de R$ 27,5 milhões do Ministério Público para a construção do Hospital Ilumina em um terreno doado pela Prefeitura. O hospital foi inaugurado em maio de 2019 e presta serviços gratuitos de prevenção, detecção precoce de câncer e assistência oncológica.

Atualmente, Christianne atua como Presidente Executiva da Fundação Ilumina, que faz a gestão do hospital e chefia cerca de 60 funcionários. “Saímos de uma sede, que funcionava como um grande ambulatório, e fomos para um hospital para ter uma abrangência maior. É como se a Fundação Ilumina fosse um grande guarda-chuva que abriga todos os pilares que atuamos: saúde, educação, cultura, meio ambiente e inovação”, explicou Christinne que, além do trabalho no hospital, tem duas clínicas particulares – em Piracicaba e Mogi Guaçu – e também atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

TRINOVA – Por que escolheu a oncologia?

CHRISTIANNE AMALFI – Eu não escolhi a oncologia, fui escolhida por ela. A oncologia não estava no meu radar. Quando saí do Rio de Janeiro e fui para Campinas fazer residência em clínica médica, tinha o interesse em gastro. Mas Campinas sempre foi referência em câncer e, na década de 1990, isso me chamou a atenção, e eu acabei tento muito contato com os pacientes de câncer e suas famílias. Eu me vi muito envolvida nesse universo. Assim, acabei me encontrando na oncologia. Foi algo que chegou para mim.

TRINOVA – Qual seu modelo de gestão no Ilumina?

CHRISTIANNE AMALFI – Temos um modelo de gestão compartilhada, é bem horizontal e participativa. Claro que existe um Conselho que define as demandas para eu executar, mas o modelo de organograma prevalece. Nós saímos de uma associação com cinco funcionários para um hospital com 60, e essa mudança foi muito impactante, mas mesmo assim acreditamos numa gestão horizontal. Para mim, essa é a melhor forma de trabalhar porque conseguimos ultrapassar todos os desafios e as equipes funcionam muito bem trabalhando integradas.

TRINOVA – Você enxerga diferença na gestão de uma empresa privada, como suas clínicas, para a de uma Fundação? 

CHRISTIANNE AMALFI – Na saúde, todo o trabalho final está focado no indivíduo, no paciente. Isso vale para o Ilumina e também nas minhas clínicas. Por isso, não vejo diferença no modo de liderar, pois todo o caminho é trilhado para o bem-estar do paciente.

Na Fundação Ilumina, todo o atendimento é gratuito, mas não somos uma instituição pública, somos uma instituição privada, mas que trabalha com parcerias a partir de captação de recursos. Hoje temos uma equipe voltada só para captação. Saímos de um custo pequeno como associação para um custo de cerca de R$ 8 milhões como hospital, então, o importante é uma boa gestão para aplicar os recursos de forma correta e atingir a nossa meta, que é fazer o diagnóstico de câncer o mais precoce possível. Na inversão do que trabalhamos hoje no Ilumina, mais de 70% dos casos de câncer são diagnosticados no módulo avançado. Por isso, cura-se menos e gasta-se mais.

TRINOVA – Lidar diretamente com pessoas na sua profissão como médica te ajuda na gestão com funcionários e nos desafios de estar à frente de um corpo clínico?

CHRISTIANNE AMALFI – Sim! No meu dia a dia clínico como médica a preocupação, além de fazer o melhor pelo paciente, é oferecer um tratamento humanizado. O meu perfil de trabalho é o de olhar para a pessoa, não para a doença dela. Entendo que aquele é um ser biográfico, com família, trabalho, e toda uma vida… naquele momento ele está com câncer, mas eu enxergo além do tumor. Esse olhar eu compartilho com a minha equipe, que tem como premissa um envolvimento diferente com o paciente e não fazer dele um número, uma senha.

Essa visão eu trago para a gestão dos que trabalham comigo. Não olho para eles apenas como prestadores de serviço, enxergo cada um separadamente. Isso torna a equipe única, envolvida na mesma missão.

TRINOVA – Então, esse é o seu segredo de liderança, a humanização?

CHRISTIANNE AMALFI – Sim, é olhar para cada pessoa que trabalha e mostrar a importância dela no coletivo. No Ilumina todos têm a mesma missão, que é o bem-estar do paciente, por isso, o sorriso de cada um da equipe é essencial para ajudar quem está sendo atendido, ou até uma família nervosa.

TRINOVA – Como administra sua rotina, conciliando vida pessoal e profissional?

CHRISTIANNE AMALFI – Normalmente, mulher é meio polvo, né? Tem muitos braços para fazer tudo ao mesmo tempo. Meus filhos já são adultos, a mais velha tem 26 anos e mora em São Paulo e o caçula, de 23, está terminando a faculdade em Campinas. Então, isso dá uma aliviada porque não preciso me preocupar diariamente com eles. Ainda assim, a casa é uma outra empresa que preciso cuidar diariamente. Mas quando imprimimos amor em tudo que fazemos, as coisas ficam menos pesadas. Também tem o fato de eu trabalhar com uma equipe grande, onde todo mundo desenvolve bem o seu papel, e isso facilita tudo. Sei que o gerenciamento do tempo é difícil na minha vida, são muitas funções, mas eu estou vendo que tudo o que eu faço tem um impacto tão maravilhoso…. estou salvando vidas! Essa sensação ameniza o peso da correria. E, também, eu não faço nada por obrigação, é uma escolha minha.

TRINOVA – O que a Fundação Ilumina representa na sua vida?

CHRISTIANNE AMALFI – Representa a forma mais pura e mais grandiosa de eu exercer o melhor de mim. Estar com pessoas que, muitas vezes, não têm formação e acesso e poder fazer algo para salvar, ajudar ou curar é muito especial. É algo que não tem tamanho, é de um valor absurdo. O Ilumina me permite servir o outro da forma mais pura e profunda possível.

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